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PARA ENTENDER O BRASIL TAL COMO É

  • Foto do escritor: Leonardo Soares dos Santos
    Leonardo Soares dos Santos
  • há 11 horas
  • 2 min de leitura

Nesse mês de março, mais precisamente no dia 13, começo a ministrar na Universidade Federal Fluminense, na sede de Campos dos Goytacazes, o curso intitulado “Para onde vai o Brasil?”.


Nesse curso pretendo evidenciar como homens - na sua esmagadora maioria ricos e brancos - pensaram como o Brasil deveria ser enquanto país. “Dever ser” entendido aqui no estrito sentido de quais princípios, valores e compromissos foram mobilizados para a realização de uma ideia de Nação. Ideia que não tinha apenas a ver com a noção de território ou um determinado conjunto bem definido de instituições. Era muito mais do que isso – ela representava os anseios e objetivos da “classe detentora do poder” em torno da condução do Estado e do “interesse geral [da elite]”.


Mas a questão de fundo era mais importante ainda: para haver Estado e uma civilização sustentável nesse país, o que fazer com o povo da “rua”? O populacho era a expressão da nossa “sociedade civil” para muitos daqueles homens, que de tão rude e precária nem figuraria em seus projetos de país. Porém, havia um nó nisso tudo: a construção do Brasil prescindia desse povo (ele pouca serventia tinha, se é que tinha alguma) – isso no campo teórico. Mas no terreno da prática, o povo existia, e esse era o problema: se não contribuía para a criação, ele esteva ali como uma permanente ameaça de destruição. E é aí que o “mundo [cão] da rua” ganhava relevância – na medida em que ele atuava para a destruição da civilização imaginada pelas forças vivas da Nação, a elite civilizada e esclarecida, isto é, “livre”.


Daí o desafio que de tão óbvio, as elites nem se davam ao trabalho de explicar: era preciso defender a Nação de seu próprio Povo. Talvez nem fosse preciso esclarecê-lo, porque de certo modo, era uma crença, um artigo de fé, “uma iluminação geral a banhar todas as cores” (explicar para quê?).


Como isso foi articulado e – se me permitem – desejado, é o que examinaremos nas formulações de alguns daqueles homens que se dedicaram àquela “missão de salvação”.


Com esse fim, debateremos os textos de José Bonifácio, Joaquim Nabuco, Machado de Assis, José de Alencar, Nina Rodrigues, Alberto Torres, Manuel Bonfim, Paulo Prado, Caio Prado Júnior e outros.


Atentando para o devido contexto de suas obras, pretendo discutir durante as aulas como verdadeiros projetos de Brasil foram desenhados por meio das reflexões daqueles homens. E o mais importante na avaliação desses projetos, não é avaliar se eram adequados ou não, se foram ou não bem formulados. O crucial em nosso exame dessas ideias é observar como elas invadiram o espaço público, servindo de instrumento para a elaboração de políticas públicas ou decisões políticas, que implicaram no empobrecimento e na permanente violação de direitos de determinados grupos sociais. As ideias como armas na luta pelo poder e de direção da sociedade e do Estado, é isso que nos interessa. E, lógico, verificar como determinadas ideias contribuíram para a consolidação de um país desumano, injusto, desigual e racistas, interessa-nos mais ainda.

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