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A LUTA POR TERRA DOS POSSEIROS DE RIO DAS PEDRAS NOS ANOS 1960

  • Foto do escritor: Leonardo Soares dos Santos
    Leonardo Soares dos Santos
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Rio das Pedras começou a receber significativo influxo de moradores a partir da segunda metade da década de 1940.


A região que a contornava ia crescendo aos poucos também, casos de Gardênia Azul, Anil, Freguesia, Itanhangá e Barra da Tijuca. No caso de Rio das Pedras, a disponibilidade de terras, a localização de uma lagoa com fartura de peixes, o rio que cortava o lugar, tenho a atual floresta de Tijuca aos pés, havia ali muitos atrativos para a fixação de unidades agrícolas.


Porém, além de pequenos lavradores, essas terras atraíam os olhares de especuladores imobiliários. E a cobiça aumentou quando o governo sinalizou que poderia construir o prolongamento da estrada Rio-Santos passando por perto de Rio das Pedras (Correio da Manhã, 15/04/1966, p. 10). Uma obra que nunca se concretizou, mas que o simples boato a respeito já colocava em polvorosa os especuladores, em especial os pretensos proprietários de grandes extensões de terra.


A Granja Rio das Pedras pediu a reintegração de posse em 1963, assim como o advogado Dalmo Esteves de Almeida (Tribuna de Imprensa, 27/06/1966, p. 4). Pedido acatado pela Justiça em 1966.


Desde o início, os moradores (classificados como “posseiros”) articularam forte resistência. E o tão temido desfecho ocorreria no dia 20 de junho.


Cerca de 900 pessoas seriam despejadas (Tribuna de Imprensa, 21/06/1966, p. 1). De início 92 famílias seriam expulsas do local, mas 27 delas acabariam poupadas, temporariamente, por que os oficiais cuidariam de despejá-las mais tarde (Correio da Manhã, 21/06/1966, p. 7).


Rapidamente, os moradores se reorganizariam, não abandonando por completo a região. Eles apenas se retiraram das casas, mas seguiram acampados nas redondezas, a espera de alguma medida que revertesse a situação. Eles se agarravam no exemplo dos moradores de Gardênia Azul (Tribuna de Imprensa, 21/06/1966, p. 4).


No dia seguinte lá estava a comissão pressionando vários secretários do governo Negrão de Lima e alguns deputados. Um deles foi Alfredo Tranjan, do PTB. Em pouquíssimo tempo ele já havia preparado um projeto de desapropriação da área (Correio da Manhã, 22/06/1966, p. 8).


Medida também urgente era sustar a todo custo a tal ordem de despejo – lembrando que ainda faltava, 27 famílias. No que a comissão de moradores foi mais ousada. Na madrugada do dia 21 eles literalmente fizeram o governador perder o sono: foram à sua mansão localizada na Lagoa.


A comissão dos moradores voltou a Rio das Pedras com a decretação de uma nova suspenção do despejo, por mais 30 dias. O governador se comprometeu a buscar uma saída para o problema.


Os desafios dos moradores de Rio das Pedras estavam longe de uma solução. Além das chuvas, os pretensos proprietários seguiriam pressionando pela expulsão dos moradores. O jogo das disputas estava apenas começando.



E em todos esses momentos as mulheres de Rio das Pedras exerceram um papel fundamental, organizando as comissões, as vigílias, o bloqueio de estradas e o enfretamento direito contra policiais e oficiais de justiça.

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