MULHERES ENCAPETADAS
- Juçara Braga

- há 7 dias
- 1 min de leitura
parte 1
Dia desses, um amigo publicou no face uma pequena estória sobre a antiga lagoa de Juturnaíba, que fica entre Araruama e Silva Jardim, na Região dos Lagos, no Estado do Rio, e foi represada no início dos anos 1980, lembrando que os índios Tamoios deram este nome à lagoa por considerar o local ruim devido à presença de urutaus, pássaros cujo canto era considerado agourento. Juturnaíba, em tupi, significa lagoa medonha, mal assombrada.
A lenda do Urutau, também conhecido como mãe da lua, é parte do folclore brasileiro e seria referência a uma jovem indígena que, ao ter seu amor proibido, se transforma em ave fantasma que lamenta a perda de seu grande amor com um canto melancólico que se tornou presságio de morte ou má sorte.
Essa lenda, assim como outras estórias com transmissão verbal, nos remete a uma reflexão sobre a construção da mulher, no imaginário coletivo, ao longo dos séculos, como causadora do mal. Eva ferrou com Adão, pra começar. Na Idade Média, mulheres com conhecimentos especiais sobre ervas com poder de cura eram bruxas, demonizadas e violentamente perseguidas.
Dia desses, ouvi que "uma mulher linda, muito bem maquiada" entrou em uma igreja, afrontou o padre e, graças à fé dele, foi desmontada ali mesmo, se transformando em demônio. Quem me contou garante que houve testemunhas. E assim, seguimos. As mulheres são mesmo encapetadas!






Comentários