AS IMPRESSIONANTES DESCOBERTAS DO PROJETO "LEMBRANÇAS: RIO DAS PEDRAS"
- Leonardo Soares dos Santos

- há 3 horas
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O Projeto Lembranças: Rio das Pedras é uma iniciativa da Agência Lume, organização de comunicação e impacto social. Segundo seus idealizadores, os jornalistas Fernanda Calé e Douglas Teixeira,
“o projeto nasceu para registrar, preservar e divulgar as histórias dos moradores, valorizando a trajetória coletiva e fortalecendo a identidade local.”
Com esse intuito, Fernanda e Douglas vem há pouco menos de 2 anos organizando uma série de entrevistas com moradores da Favela Rio das Pedras. Além de todo o trabalho de preservação da memória que esse tipo de empreendimento proporciona, o que tais entrevistas têm revelado é uma impressionante gama de detalhes que havia sido ignorada por boa parte da opinião pública carioca.
Durante muito tempo, os relatos que tínhamos sobre as origens do lugar é de que era um território abandonado, e isso já no século XX, um verdadeiro pântano, que, sabe-se lá porque passou a ser ocupado entre os anos 1960 e 1970 por pessoas vindo do Nordeste brasileiro.
Só uma ínfima parte de tal descrição tem alguma base na realidade. Pois o que os depoimentos trazem à luz é um cenário completamente diverso.
Na verdade, só uma pequena parte do Rio das Pedras era formada por brejos (e essa área seria ocupada a partir do fim dos anos 1960). A ocupação do território, aliás, remonta um período bem anterior, desde pelo menos o século XIX, quando já havia pequenas fazendas na região e nas redondezas. E ela seguiu no século XX, embora rarefeita. E foi se ampliando a partir dos anos 1930 e 1940, com o maior retalhamento das propriedades na localidade. E aí percebe-se a chegada de várias figuras abastadas que vão instalando ali fazendas, a maioria com o caráter de veraneio. Com exceção daquela instalada por Alberto Monteiro da Silva, figura de renome, oriundo do Pará, de família rica, com inúmeros bens e negócios sediados no Norte do país. A fazenda por ele criada tinha significativa produção agrícola e grande criação bovina. Não era um simples passatempo. Em pouco anos ele, que também tinha ali uma pedreira, resolveu inaugurar um condomínio e um clube social, o Floresta Country Club.
E o interesse desses ricaços por Rio das Pedras revelavam por si só um aspecto interessantíssimo da localidade: ao contrário do que as narrativas tradicionais advogavam, o território tinha grande valor paisagístico.
Mas não só eles se interessaram pelo lugar. Depoimentos como os de Dona Maria e Dona Quinha – a primeira moradora do Rio das Pedras desde o final da década de 1940 e a segunda, início dos anos 1950 – demonstram que muitas pessoas humildes e trabalhadoras já viviam ali na região, algumas trabalhando em algumas daquelas fazendas, outras já ali estabelecidas com os seus sítios que produziam à farta hortaliças, legumes e frutas, e que abasteciam os mercados locais da região de Jacarepaguá. E isso muito antes dos anos 1960.
Portanto, só podemos enaltecer esse empreendimento da Agência Lume, nas pessoas de Fernanda e Douglas. E que mais pesquisas como essa sejam realizadas em prol dos nossos territórios da Baixada de Jacarepaguá.







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