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PEDRO COUTINHO FILHO E A ANL EM JACAREPAGUÁ

  • Foto do escritor: Leonardo Soares dos Santos
    Leonardo Soares dos Santos
  • há 3 horas
  • 2 min de leitura

Pedro Coutinho, militante comunista, nascido no Ceará em 1901, foi o principal quadro do PCB atuante na zona rural da cidade do Rio de Janeiro, principalmente em Jacarepaguá.


Mesmo a atuação de Pedro tendo sido ali expressiva, ela deixou poucas marcas na memória social da região. A exclusão desses personagens da memória local não foi nada casual.


Pedro começou sua trajetória em Jacarepaguá em 1935, justamente para organizar células do PCB para atuar no apoio a Aliança Nacional Libertadora. Além das células, Pedro cumpria extensa atividade de propaganda e agitação, com farta distribuição de panfletos e manifestos, junto às feiras populares, praças e ruas de maior movimento do bairro.


Como se sabe, a ANL seria fechada em julho de 35 e após o levante comunista mal sucedido daquele ano, os membros do PCB seriam violentamente reprimidos. Pedro fugiria para o interior de Minas Gerais, com sua esposa.


Em 14 de outubro de 1937 foi preso em Itanhandú/MG, enquadrado pelo Tribunal de Segurança Nacional por ações envolvendo a reorganização do PCB e da Aliança Nacional Libertadora em Jacarepaguá.


Entre os objetos apreendidos, informava O Imparcial, uma tabuleta com os seguintes dizeres: “Aliança Nacional Libertadora – Pão, Terra e Liberdade – Diretório Nacional” (15/01/1937, p. 16).


Foi provavelmente nesse período que ele passaria a ter contato com o advogado Heitor Rocha Faria (outro grande militante comunista de Jacarepaguá), já que este seria designado defensor de Coutinho na Justiça. Poucos anos depois, Heitor também atuaria como advogado na defesa de causas judiciais de posseiros da região do Sertão Carioca e Baixada Fluminense. Junto com Pedro se tornariam os principais militantes comunistas a fornecerem serviço jurídicos por meio das associações estruturadas pelo PCB (Ligas, Associações Democráticas, Sindicatos).


Em março de 1938, Pedro seria levado aos tribunais, para ser mais exato, ao Tribunal de Segurança Nacional, onde o juiz Raul Machado condenou Pedro e seus companheiros a um ano de prisão pelo “crime” de tentar reorganizar a “Alliança Nacional Libertadora” (Correio Paulistano, 30/03/1938, p. 3). Depois de cumprir a pena, Pedro passou pouco tempo fora da cadeia. Em 13 de abril de 1940 foi novamente preso com outras dezenas de militantes após uma grande operação da polícia de “Ordem Política e Social” por vários estados do Brasil. Segundo o então chefe de polícia da época, Filinto Müller, tratava-se, segundo o jornal paulista ultraconservador, de uma “trama macabra” dos “agentes vermelhos”, que por meio de ampla ação partindo de São Paulo visavam a reorganização do PCB. Logo depois, Pedro teria a sua prisão relaxada. Mesmo tendo sido acusado de fazer parte desse “plano terrorista”, sendo denunciado ao Tribunal de Segurança Nacional, ele aguardaria o julgamento em liberdade quando, sob influxos da vitoriosa campanha dos Aliados na II Guerra, irrompe no Brasil um movimento em prol da anistia aos presos políticos do regime varguista.



Depois de tantas dificuldades, voltaria a militar em Jacarepaguá. Mas essa já é uma história para um outro artigo.

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