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A "GUERRA" DOS CONCUNHADOS

  • Foto do escritor: Val Costa
    Val Costa
  • há 8 horas
  • 2 min de leitura

Contos de Jacarepaguá


Em 20 de abril do longínquo ano de 1807 iniciou-se uma das mais longas disputas por terras na Baixada de Jacarepaguá: a “guerra” dos concunhados. Nessa data foi realizado o inventário dos bens do Dr. Francisco Teles Barreto de Menezes, falecido proprietário do Engenho da Taquara e do Engenho Novo de Jacarepaguá, fazendas que englobavam os atuais bairros da Taquara, da Curicica, do Pechincha e da Freguesia.


As propriedades supracitadas ficaram para duas filhas do Dr. Francisco: Ana Inocência Teles de Menezes e Catarina Josefa de Andrade Teles. D. Ana era casada com João Alves Pinto Ribeiro, D. Catarina, por sua vez, era esposa de Pascoal Cosme dos Reis.


Como era de costume em uma sociedade patriarcal, a administração dessas propriedades ficou sob a responsabilidade dos respectivos maridos. Dessa maneira, Pascoal ficou com o controle do Engenho Novo de Jacarepaguá enquanto João Alves comandou o Engenho da Taquara. As desavenças estavam associadas aos marcos divisórios entre as terras herdadas.


Não foi apenas uma disputa judicial. Ambos os lados contrataram capangas e montaram verdadeiras milícias armadas. Os conflitos resultaram em emboscadas, tiroteios e mortes, aterrorizando a população da então bucólica Freguesia de Nossa Senhora do Loreto e Santo Antônio de Jacarepaguá. A situação ficou tão incontrolável que o Governo Imperial precisou enviar tropas para a região no intuito de diminuir a violência existente entre esses dois grupos. O conflito só terminou em 1839, após um acordo judicial entre os descendentes dos herdeiros.


Esse conflito mostra a força das oligarquias na então zona rural do Rio de Janeiro, evidenciando que as disputas por terras eram resolvidas por influentes latifundiários locais, que possuíam imenso poder político e social.

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