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UMA ALDEIA INDÍGENA NA CIDADE

  • Foto do escritor: Pablo das Oliveiras
    Pablo das Oliveiras
  • 26 de jan.
  • 3 min de leitura

De lá pra cá... daqui pra onde? Conto Final


Que legal, olha isso… Meu Diário de 2022. Hum… fotos e mensagens daquele passeio. Eu nem lembrava mais. Engraçado, eu assinava Bebel e também Maria Isabel... O Kevin só assinou “MC Kevin”, foi a primeira vez que ele dizia que queria ser MC… naquela época, ele já sonhava com música e poesia. O Kevin sempre foi inteligente… e lindo também. Caramba, como eu era boba, nem percebi que era a primeira vez que eu e ele já gostávamos de ficar junto o tempo todo...


Todos nós estávamos muitos excitados... Ah… a foto do Seu Riba com a Xodó. Ele não foi ao passeio, mas deu uma caixa de bombom para a nossa merenda... disse que gostaria de ver as fotos e saber das nossas descobertas no passeio. Poxa, o passeio foi maravilhoso! A gente estava no calçadão, em volta do Maracanã. E, do nada, o Leo apareceu de moto, e todos nós ficamos em volta dele, perguntando se ele ia seguir no passeio com a moto. E ele disse: “Que nada, eu estou a trabalho… e rindo, abriu a mochila térmica, tirou três pizzas gigantes, quentinhas: Cortesia de Leo Delivery! E esse é o meu cartão, pra o seu pedido chegar mais rápido! Tô indo nessa Bom passeio galera! Fui!...” Hahaha, até o Léo foi ao passeio, saiu na foto com o pai e o Beto de boca cheia, comendo pizza... e com a gente na rampa da entrada do Maracanã. Todo mundo encantado no templo do futebol… Olha essa foto, incrível! Bem ao lado do Maracanã, um castelo do tempo do Imperador D. Pedro II. Parece que tô vendo e ouvindo tudo de novo...



Paramos em frente à torre do antigo castelo, que há tempos foi o Museu do Índio… Agora, em ruínas, nas paredes rachadas têm muitos grafites… ALDEIA MARACANÃ: UNIVERSIDADE INDÍGENA… A ALDEIA RESISTE!… Gente! Gente, a Aldeia Maracanã é aqui! Uma aldeia indígena bem no meio da cidade… Olha os grafismos indígenas! É aqui que os indígenas moram, improvisam, será que a gente pode entrar? Vem pai, vem! O pai ficou onde estava. Ficou parado e olhando. Acho que o lugar que ele via, estava dentro dele mesmo e lá de dentro dele, um moço veio da aldeia e cumprimentou a gente. A madrinha se apresentou e contou do nosso passeio. Mas a gente queria saber como era lá dentro... perguntamos se o moço morava ali, se ele era um indígena guerreiro… Ele confirmou tímido, sorrindo, e disse: “Os indígenas vivem guerreando e resistido, todos os dias, há 522 anos…” E ele perguntou: “Vocês querem conhecer a aldeia? Entrem para conhecer o nosso evento anual: Abril Indígena…” O Beto perguntou: “É festa?” O moço disse: “É uma festa também, para celebrar e cultivar este território sagrado, como a nossa casa e a nossa Associação Indígena Aldeia Maracanã, um centro de referência e apoio às culturas indígenas, aqui no meio da cidade.” O pai continuou ouvindo tudo num silêncio atento e minha mãe ao lado dele...


Hoje, eu sei que ele viu e ouviu tudo com muita atenção, além da nossa curiosidade. Com seu jeito silencioso, ele também ria muito com as nossas alegrias e brincadeiras de criança… Caramba… Olha essa foto do Kevin, ele assinou MC Kevin, e depois acrescentou:. “MC Kevin Puri. Mais um guerreiro que se junta à retomada do povo indígena Puri!”


Nota: Vídeo, ano 2012: Teko Haw Maraká'nà

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