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SEM PRESSÃO POPULAR NÃO MUDAMOS ESSE PAÍS

  • Foto do escritor: JAAJ
    JAAJ
  • 21 de fev.
  • 1 min de leitura

O projeto aprovado pela Câmara dos Deputados que legitima os chamados “supersalários” no Legislativo é uma afronta direta à sociedade brasileira. Trata-se de mais um capítulo da degeneração moral de um Congresso que legisla em causa própria enquanto milhões de brasileiros enfrentam desemprego, fome e serviços públicos sucateados.


O Parlamento vive hoje um cenário de descontrole institucional. São dezenas de bilhões de reais distribuídos sem transparência, sem critérios técnicos e sem qualquer planejamento público de investimentos, obedecendo exclusivamente aos interesses particulares de cada parlamentar. É a captura do orçamento público por uma lógica clientelista e fisiológica, incompatível com qualquer democracia minimamente saudável.


Diante desse quadro de desmandos, o Supremo Tribunal Federal ainda representa um raro freio institucional. A decisão do ministro Flávio Dino, que suspendeu o pagamento dos chamados “penduricalhos” — artifícios usados para burlar o teto constitucional de R$ 46,3

mil — é uma resposta necessária à farra dos privilégios. O fato de ser preciso uma intervenção do Judiciário para fazer cumprir a Constituição escancara a gravidade do problema.


Nada disso, porém, será suficiente sem pressão popular. A sociedade civil precisa romper com a passividade e se mobilizar de forma organizada contra os impulsos obscuros de um Parlamento cada vez mais distante do interesse público. Ou o país enfrenta de frente a cultura dos privilégios, ou continuará refém de um Congresso que trata o Estado como patrimônio privado.

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