top of page

REALENGO: O REAL ENGENHO REALMENTE EXISTIU?

  • Foto do escritor: Val Costa
    Val Costa
  • há 22 horas
  • 3 min de leitura

O bairro de Realengo está localizado na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, entre o Maciço da Pedra Branca e a Serra do Mendanha. Segundo dados preliminares do Censo 2022, a população desse bairro é de 165.881 pessoas, distribuídas por uma área de 2.605,42 hectares.


Muitos moradores da cidade afirmam que o nome do bairro é uma abreviação de "Real Engenho", no entanto, não há registros oficiais da existência dessa propriedade naquela região.


A versão aceita pela maioria dos pesquisadores refere-se às “terras realengas”, que eram áreas pertencentes à Coroa Portuguesa, mas destinadas ao uso comum da população. Em 24 de junho de 1814, o então Príncipe Regente D. João concedeu ao Senado da Câmara do Rio de Janeiro terras na Freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Campo Grande. Em 20 de novembro do ano seguinte, D. João realizou uma outra doação de terras na região, dessa vez para imigrantes oriundos do Arquipélago dos Açores, que se dedicaram à pecuária bovina e ao plantio de alimentos.



Entretanto, antes da chegado dos colonizadores europeus, a região da Baía de Guanabara

era densamente ocupada por populações indígenas, principalmente por grupos Tupinambás

e Tamoios. Segundo Rafael Freitas da Silva, autor do livro “O Rio antes do Rio”, no local onde estão os atuais bairros de Realengo, Vila Militar, Deodoro e Bento Ribeiro existia uma taba indígena chamada Sapopemba.


Em 1612, Gaspar da Costa funda um engenho com o mesmo nome da aldeia indígena. Ele ficava próximo aos engenhos do Gericinó e da Água Branca. Além de açúcar, produzia também rapadura e aguardente.


A História do bairro está muito ligada aos irmãos Manoel e João Fernandes Barata. Eles vieram de Portugal no século XVIII e adquiriam a Fazenda Piraquara, que se transformou no principal engenho da Freguesia de Campo Grande, destacando-se na produção de açúcar, álcool, laranja, tijolos artesanais e na pecuária bovina. A casa sede dessa fazenda foi tombada em 1997pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade – IRPH. Em 2005, foi criado o Parque Municipal Fazenda dos Baratas na área englobada por essa propriedade.


A Paróquia Nossa Senhora da Conceição origina-se de uma antiga capela construída no século XVIII pelos irmãos Barata. Em 1929, foi inaugurado o templo atual, em estilo românico, graças a atuação do missionário espanhol Miguel Santa Maria Mochon. Padre Miguel, como era popularmente conhecido, foi pároco desse templo por cerca de 40 anos e o fundador da primeira escola da região.


Em 1898, foi inaugurada a Fábrica de Cartuchos e Artifícios de Guerra de Realengo. Ela tinha como objetivo produzir munição de pólvora sem fumaça para os fuzis Mauser. Desativada em 1977, o local hoje abriga uma unidade do Colégio Pedro II e o Parque Realengo Susana Naspolini, onde ainda existe uma chaminé remanescente dessa antiga construção.


Em 1913, foi inaugurada a Escola Militar de Realengo, responsável pela formação de oficiais e cadetes. Com o passar do tempo, esse espaço ficou pequeno e antiquado para atender as demandas dos alunos, por isso a instituição foi desativada em 1944. Seus cadetes foram transferidos para a Escola Militar de Resende, atual Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN).


Por fim, não podemos deixar de mencionar que o bairro de Realengo faz parte da História da Música Popular Brasileira (MPB), pois foi eternizado na famosa canção “Aquele Abraço”, composta pelo músico Gilberto Gil. Elaborada em 1969, ela retrata o período em que o cantor ficou preso em um quartel da Vila Militar antes de ir para o exílio em Londres, durante a ditadura civil-militar brasileira.

Comentários


bottom of page