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PREFEITO EDUARDO PAES ASSINA COMPRA DA FAZENDA DA TAQUARA

  • Foto do escritor: Magnun Alves
    Magnun Alves
  • há 3 horas
  • 2 min de leitura
Quanto custou essa compra? Foto: Silvia da Costa
Quanto custou essa compra? Foto: Silvia da Costa


A Fazenda da Taquara é um patrimônio do século XVIII que atravessou eras de história, permanecendo preservado pela família até os dias de hoje.


Por diversas vezes, esse patrimônio foi cenário de novelas e filmes, e também palco de batalhas entre o poder público e a família, que lutavam para manter sua posse e memória. Com o falecimento do senhor Francisco José Telles Rudge, ocorrido em de junho de 2024, conhecido como o Barão da Taquara, essa relação entrou em um novo momento. Embora fosse bastante relutante quanto à ampliação das políticas de preservação da memória familiar, ele permitia a realização de caminhadas culturais, que aconteciam uma vez por mês, sempre com sua autorização. Em 2025, ele completaria 100 anos.


Após o seu falecimento, a família reduziu o número de visitas, de forma compreensível. Ainda assim, as tentativas de negociação com os herdeiros não cessaram.


No dia 31 de janeiro de 2026, foi sacramentada a compra da Fazenda pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Segundo o prefeito Eduardo Paes, o objetivo é transformar o espaço no Parque Taquara – Fazenda Baronesa, com a promessa de preservação de toda a área verde e dos prédios de estrutura colonial. As obras de reforma têm previsão de início no segundo bimestre, com entrega estimada para 2028.


A estrutura da Fazenda possui grande potencial para abrigar bibliotecas, galerias, salas de cursos, oficinas de pintura e um belíssimo museu. As antigas baias poderiam voltar a funcionar, assim como atividades ao ar livre, como capoeira, tai chi chuan, jongo, música clássica e até escotismo, além de uma trilha pedagógica na área de preservação ambiental.


No entanto, é fundamental lembrar que, antes de ser fazenda, esse território abrigava uma grande aldeia indígena: a Taba Taquaruçutiba. Toda a região de Jacarepaguá pertencia aos Tupinambás.


Com a chegada dos colonizadores, era comum a destruição de grandes aldeias que já possuíam caminhos abertos, água potável e terra fértil. Nesses mesmos locais, foram construídas fazendas. Ao lado da sede da Fazenda da Baronesa, ergueu-se a Igreja Exaltação da Santa Cruz, e também fazia parte do processo colonial a catequização dos indígenas capturados. Muitos lutaram e não resistiram.



Esse foi um período extremamente duro da nossa história. A Fazenda da Taquara reuniu mais de 800 escravos.


Há indícios de que naquela região tenha ocorrido uma grande e sangrenta batalha, na qual muitos nativos perderam a vida, assim como negros que se rebelaram contra o regime escravocrata. Por esse motivo, existe uma preocupação especial com a área ao redor da igreja, que pode inclusive adentrar a Área de ProteçãoAmbiental (APA), onde pode existir um cemitério arqueológico, capaz de contar parte significativa dessa história.


É fundamental que esse patrimônio se transforme em uma ferramenta de desenvolvimento social e cultural. O passado não pode ser revogado, mas é a partir desses fatos — muitas vezes dolorosos — que seguimos lutando por um mundo mais justo e humanitário.


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