top of page

O POVO DE RIO DAS PEDRAS: IDENTIDADE FORJADA NA LUTA

Foto do escritor: Leonardo Soares dos Santos
Leonardo Soares dos Santos
há 9 horas
2 min de leitura

Rio das Pedras. foto: Douglas Teixeira/ Agência Lume
Rio das Pedras. foto: Douglas Teixeira/ Agência Lume

A primeira onda de crescimento urbano e populacional de Rio das Pedras começa a ser efetivado alguns anos antes dos anos 1960. Pelas notícias de jornais de época e pelo depoimento de alguns moradores, ele se situa na segunda metade dos anos 1940.


Não parece, com base no uso das mesmas fontes, que a expansão de Rio das Pedras tenha sido resultado do crescimento de Rio das Pedras. Pelo menos no seu início - anos 1940 e 1950 - ele parece ter sido fruto de processo bem mais amplo, que tinha a ver com o incremento demográfico e de estruturas urbanas e comerciais da baixada de Jacarepaguá como um todo.


No caso específico de Rio das Pedras, por questões que ainda merecem aprofundamento, mas que parecem estar ligadas a fatores geográficos (presenças de rios, lagoas, exuberante mata atlântica, entre outros elementos), e que passaram a interessar pessoas (físicas e jurídicas) de grande poder aquisitivo (como o empresário Alberto Monteiro da Silva e companhias imobiliárias), o território foi se tornando cada vez mais atrativo para investimentos.


Ao mesmo tempo, o território atraiu a ocupação de milhares de pessoas humildes, muitas delas que buscavam trabalho no próprio local (inclusive agrícola, por meio do cultivo de legumes, verduras e frutas).


Rio das Pedras, portanto, era uma terra promissora para diversos grupos sociais, que iam ali se estabelecendo e convivendo, cada qual com seus objetivos.


A partir dos anos 1960, uma das companhias imobiliárias, querendo gerar dividendos com base na especulação da área, passa a tentar o despejo de pequenos lavradores que ali se estabeleciam. A primeira tentativa de despejo se daria em 1966. Mas os moradores resistiram de forma obstinada. Organizaram comissões, buscaram estabelecer pontes com o poder público, contactaram advogados influentes, visitaram redações de jornais com suas denúncias, e tudo isso em meio a ditadura militar.


Eles e elas não se dobraram, apesar de lutarem num contexto tão desfavorável. E assim, após a organização de uma manifestação de protesto, realizada em frente à residência do então governador do estado da Guanabara Negrão de Lima, em plena madrugada, os moradores obtiveram a suspensão da ordem de despejo.


Sim, essa foi outra estratégia adotada pelos moradores: a realização de pressão das autoridades públicas por meio da ação direta.


Notícias dão conta de que perto de 200 moradores teriam se deslocado para o bairro da Lagoa em 21 de junho de 1966. E o governador não só cumpriu com a palavra – a ordem de despejo foi suspensa, como acionou vários secretários e técnicos das várias pastas da sua administração para organizar estudos sobre a localidade.


Eis como foi então se formando a “comunidade” de Rio das Pedras, pela luta e na luta. A identidade com o território se deu num intenso processo de resistência, e que prosseguiria nas décadas seguintes. Identidade essa cujo conteúdo passava pela ideia de que aquele lugar pertencia também a quem vivia humildemente do seu trabalho.

Posts recentes

Ver tudo
A BARRA DA TIJUCA COMO A "NOVA COPACABANA"

Enquanto a grilagem de terra rolava solta em Jacarepaguá nos anos 1940 e 1950, atingindo pequenos lavradores, a imprensa nem dava bola. Foram inúmeros os casos, mas foram poucos os jornais que se dedi

 
 
 

Comentários


bottom of page