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COMPLEXO DE DATA CENTERS PODE DEIXAR JACAREPAGUÁ COM GRAVES PROBLEMAS DE FALTA DE ÁGUA E LUZ

Foto do escritor: Felipe Lucena
Felipe Lucena
há 4 horas
2 min de leitura

Especialistas alertam que esses centros de dados (também chamados de "nuvens") são grandes computadores que consomem muito recurso hídrico, energia elétrica, além de provocarem barulho e gerarem lixo eletrônico.


O Rio AI City, complexo de data centers previsto para ser o maior da América Latina, será construído na região do Parque Olímpico. A Prefeitura vem divulgando amplamente esta iniciativa.


A Elea Data Centers, responsável pelo projeto, anunciou, durante o Web Summit Rio deste ano, um aporte de US$ 550 milhões para construir o complexo voltado à inteligência artificial que pretende transformar a capital fluminense em um dos 10 maiores polos globais do setor até 2032.


Os recursos fazem parte da primeira fase do processo de aquisição da empresa pela gestora global de infraestrutura I Squared Capital e, de acordo com os envolvidos, representam o início de um ciclo de expansão que poderá alcançar US$ 10 bilhões nos próximos anos.


O projeto prevê a construção de um campus de inteligência artificial com capacidade inicial de 1,8 gigawatts até 2027 e expansão para 3 gigawatts até 2032.


Entretanto, uma ideia grandiosa como essa vem conectada a possíveis problemas. Especialistas alertam que esses centros de dados (também chamados de "nuvens") são grandes computadores que consomem muita água e energia elétrica.


“Em um cenário de intensificação das mudanças climáticas, com maior frequência de secas severas e eventos climáticos extremos, a presença de consumidores intensivos de água pode agravar pressões já existentes sobre os recursos hídricos”, alerta o professor Daniel Caixeta Andrade, do Instituto de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

De acordo com o pesquisador Lourenço Galvão Diniz Faria, economista pela UFU que atua como consultor em transições e regulação energética, economia circular, inovação e sustentabilidade, um data center de tamanho médio consome o mesmo que mil casas e os maiores podem gastar o equivalente a 10 mil a 50 mil casas, ou seja, o mesmo que uma pequena cidade.

“Hoje existem tecnologias que prometem reduzir esse consumo e aumentar a eficiência desses sistemas, mas sempre haverá um consumo significativo à medida que os servidores aumentam de tamanho e capacidade de processamento”.

Existem, ainda, outros impactos como o lixo eletrônico, uma vez que os equipamentos são substituídos periodicamente em busca de maior eficiência de processamento. Há também a poluição sonora.

“O zumbido constante de servidores e sistemas auxiliares cria níveis de ruído significativos e persistentes que podem chegar a 80 dBA [decibéis ponderados], comparáveis aos de um soprador de folhas no entorno desses empreendimentos. Isso pode afetar comunidades próximas e animais silvestres”, explica Lourenço Galvão Diniz Faria.

Ambientalistas e militantes da Baixada de Jacarepaguá, Barra, Recreio e Vargens já temem as consequências da instalação deste complexo de data centers na região do Parque Olímpico.


"Não está havendo diálogo com os moradores para explicar o projeto. E pode ter certeza: se for mesmo instalado, vamos ter problemas de falta de água e de luz por aqui", disse uma militante do meio ambiente e moradora que preferiu não ter o nome citado na reportagem.

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