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O QUE NOS ENSINA O EPISÓDIO YPÊ

  • Foto do escritor: Juçara Braga
    Juçara Braga
  • há 23 horas
  • 2 min de leitura

Pela terceira vez, em três anos, órgãos públicos de vigilância sanitária identificaram graves problemas na empresa Química Amparo, fabricante da marca Ypê no interior do Estado de São Paulo, onde foram encontrados produtos contaminados com uma bactéria que pode causar danos à saúde das pessoas.


Estamos falando de detergentes, sabão em pó e lava-louça. Ou seja, produtos que estão nas cozinhas, nos banheiros, nas áreas de serviço das famílias, nos restaurantes, nas lavanderias. O caso é sério, é grave.


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a paralisação da produção e o recolhimento dos lotes de produtos contaminados. A produção parou, mas, sem fiscalização, os produtos Ypê seguem disponíveis para os desavisados nas prateleiras de supermercados, mercadinhos de bairro e, certamente, seguem sendo usados em bares, lanchonetes, restaurantes, lavanderias, etc.


Consumidores com esses produtos em casa não sabem como descartá-los, uma vez que representam dano para a saúde pública e, sendo assim, não devem ser descartados no lixo comum ou no ralo da pia. Um caminho é levá-los à Secretaria do Meio Ambiente para o descarte correto.



Manipulação da informação

Passando ao largo dos riscos sérios para a saúde dos consumidores, paus mandados fazem troça, na internet, fingindo beber e lavar alimentos com detergente Ypê. Essas mensagens não são gratuitas, têm o propósito de desqualificar o trabalho de órgãos públicos responsáveis pela fiscalização sanitária.


Em outra frente, manipuladores da informação apontam perseguição à empresa pelo fato de seus proprietários terem sido doadores de campanha de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Não custa lembrar, entretanto, que o atual ocupante da Diretoria de Fiscalização da Anvisa foi indicado pelo governo Bolsonaro.


Vale lembrar também que a empresa Química Amparo foi condenada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas-SP) por assédio eleitoral a seus funcionários na campanha de 2022 em favor do então presidente da República, que seria derrotado por Luís Inácio.


Afinal, o que nos ensina o episódio Ypê

Para nós, cidadãos e cidadãs, consumidores, a lição é clara. Ou assumimos nossa responsabilidade cívica, social e política na comunidade na qual vivemos ou estaremos fadados à exposição a elementos nocivos como estes dos produtos Ypê.


Cadê nossa indignação diante dessa absurda repetição de descaso com a saúde pública por parte dos donos da marca Ypê? Somos bons em falar alto na feira, o que é saudável, e no trânsito, o que é perigoso. Passou da hora de voltarmos a falar alto em defesa de direitos básicos.


Queremos pra ontem a retirada dos produtos Ypê contaminados das prateleiras nos pontos de venda. Queremos pra ontem uma punição severa para a empresa Química Amparo e seus proprietários para que cessem as más práticas que se repetem apesar das intervenções dos órgãos de vigilância sanitária.

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