JÁ PAGOU SEUS BOLETOS DESSE MÊS?
- Juçara Braga

- há 3 horas
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Você, cidadã, cidadão comum, assim como eu, certamente, já viveu a experiência de atrasar um boleto. Não demora 15 dias para que a empresa credora ponha seus abutres em cima de você. Sem dó, nem piedade. E, olha, você está atrasada numa dívida que não avança além das dezenas ou centenas de reais.
Agora, imagine uma empresa que deve R$ 65 bilhões. Daí você se pergunta como essa dívida ficou desse tamanho. Ninguém cobrou quando caiu o primeiro boleto sem pagamento?
Essa é a situação da Raízen, junção da Cosan com a Shell. Aí, você pergunta quem está à frente da Raízen. Essa é a pergunta chave. Temos aí Rubens Ometto, empresário ceivado no meio açucareiro do interior de São Paulo à frente da Cosan, e André Esteves, outsider do mercado financeiro, dono do BTG Pactual.
Ambos multibilionários. Aí você entende porque ninguém bate à porta deles pra cobrar o primeiro boleto. Aí você entende porque a montanha de boletos acumulados chegou a R$ 65 bilhões. Gente, R$ 65 bilhões.
É uma barbaridade só possível numa sociedade marcada por exceções e privilégios para quem ocupa o andar de cima na pirâmide socioeconômica. A Raízen não é a única a gozar dessa condição. Temos outros exemplos. Light e Oi também entraram em processos de recuperação judicial por conta de dívidas bilionárias.
Daí você pergunta: E eu com isso? Eu te respondo. Você tem tudo a ver com isso porque mudar as condições políticas que permitem esse tipo de absurdo cabe a mim e a você. Uma sociedade de classes estruturada, como a brasileira, por uma elite que pode tudo não tem como construir um futuro que considere e respeite o andar de baixo, onde, aliás, nós estamos.
A dica da vez é a seguinte: a política cuida de você, para o bem e para o mal, da unha do seu dedinho mindinho até o seu último fio de cabelo, portanto, ou aprendemos a cuidar da política ou vamos continuar nos ferrando, enquanto o andar de cima entra em recuperação judicial e joga as dívidas bilionárias pra quitação em um futuro que nunca chega.





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