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EVITAR O AQUECIMENTO EXIGE POSTURA INDIVIDUAL

  • Foto do escritor: Bianca Lopes de Freitas
    Bianca Lopes de Freitas
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Todos nós, como cidadãos, temos responsabilidade sobre a qualidade de vida em nosso planeta. Por menor que seja nosso tijolinho nesta imensa construção, é com educação e participação social que salvaremos nosso planeta.


A engenheira Jaciane Nunes, especialista em meio ambiente, e o gestor ambiental Ébano George explicam o que é aquecimento global e alertam para a importância de pequenas ações cotidianas para evitá-lo, como economizar energia, reduzir o uso de carros e combater o desmatamento.


JAAJ - O que é o aquecimento global? E como se mede isso?

Jaciane - O aquecimento global é o aumento da temperatura do planeta medido desde a revolução industrial por satélites, estações meteorológicas e medições oceânicas.

Ébano – Trata-se do aumento gradual da temperatura média da terra, causado, principalmente, pela intensificação do efeito estufa devido à queima de combustíveis fósseis, ao desmatamento e a outras ações que liberam gases como o dióxido de carbono.


JAAJ - O que causa o aquecimento global?

Jaciane - A principal causa é o aumento da concentração de gases do efeito estufa na atmosfera causado por ações humanas, inclusive na agropecuária, elevando os níveis de CO2, metano e óxido nitroso, que intensificam a retenção de calor.

Ébano - O aquecimento global é causado, principalmente, pelo jeito como a gente usa os recursos do planeta, ou seja, é o acúmulo de pequenas ações humanas que, juntas, acabam prendendo mais calor na atmosfera da terra.


JAAJ - Qual a diferença entre o efeito estufa e o aquecimento global?

Jaciane - O efeito estufa é um processo natural que retém o calor irradiado pela superfície terrestre e é essencial para manter a temperatura adequada na terra, possibilitando a vida. O aquecimento global é a intensificação desse efeito provocada pelo aumento na emissão de gases, elevando a temperatura média do planeta. Ou seja, o desequilíbrio do efeito estufa é o que caracteriza o aquecimento global

Ébano - O efeito estufa é algo natural e necessário, é o que mantém a terra com uma temperatura adequada para a vida. O aquecimento global é o desequilíbrio desse processo.


JAAJ - O que podemos fazer para evitar o avanço do aquecimento global?

Jaciane - Reduzir as emissões através da transição energética, aumentar o uso de fontes renováveis, combater o desmatamento e implementar políticas públicas e práticas urbanas e industriais sustentáveis.

Ébano – É preciso mudar hábitos do dia a dia, coisas simples como economizar energia, usar menos carro, evitar o consumo exagerado e os desperdícios e preservar as florestas. Ou seja, é preciso um esforço coletivo com pequenas atitudes individuais para alcançar mudanças maiores na sociedade.


JAAJ - Quais as doenças oriundas do aquecimento global?

Jaciane - O calor extremo pode causar insolação, desidratação, doenças cardiovasculares e problemas respiratórios devido à poluição e ao aumento das queimadas, além de facilitar a transmissão de doenças causadas por mosquitos.

Ébano – Ele facilita a propagação de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, malária e zica.


JAAJ - Qual a situação do Brasil, no contexto mundial e da América Latina, em relação ao aquecimento global?

Jaciane - O Brasil tem grande relevância pela biodiversidade e por abrigar a Amazônia, além de ter uma matriz energética relativamente limpa. Em contrapartida temos enormes índices de desmatamento e queimadas. Na América Latina o cenário é semelhante com potencial para energias renováveis, mas com limitações estruturais. Historicamente os países desenvolvidos são os maiores emissores, embora as economias emergentes também contribuam.

Ébano - O mundo inteiro enfrenta o mesmo problema, mas o Brasil e a América Latina, de modo geral, estão numa posição injusta, pois sofrem muito com os impactos do aquecimento global, mesmo não sendo os maiores responsáveis. Ao mesmo tempo, têm um potencial enorme para ajudar a resolver a crise climática, pincipalmente protegendo florestas e investindo em energia limpa.


JAAJ - Por que dizem que a Amazônia é o pulmão do mundo? Essa afirmação é verdadeira?

Jaciane - É uma expressão antiga, mas não condiz com a realidade. Dizem que é o pulmão do mundo devido à alta produção de oxigênio, mas ela produz e consome na mesma proporção. A importância da Amazônia se dá por seu grande potencial de armazenamento de carbono, o que ajuda a conter o aquecimento, por sua biodiversidade, essencial para o equilíbrio ecológico, e pela influência positiva sobre o regime de chuvas em grande parte da América do Sul.

Ébano - A Amazônia é o pulmão do mundo mais como metáfora do que descrição literal. Dizem isso porque a Floresta Amazônica é gigantesca e tem uma enorme capacidade de absorver CO2 e ajudar no equilíbrio do clima global. Além disso, ela libera muito oxigênio através da fotossíntese, o que dá essa impressão de que produz o ar que o mundo respira.


O oxigênio que a Amazônia produz quase se equilibra com o que ela mesma consome na decomposição das plantas e na respiração dos seres vivos. Ou seja, ela não funciona como um pulmão no sentido de fornecer oxigênio para o planeta, mas é essencial para o clima do planeta, principalmente por regular as chuvas, armazenar carbono e manter a biodiversidade. Então, mesmo não sendo literalmente o “pulmão do mundo”, ela é fundamental para o equilíbrio ambiental do planeta.

JAAJ - Como tem sido a resposta dos países signatários ao compromisso assumido no Acordo de Paris?

Jaciane - A meta principal do Acordo de Paris é limitar o aquecimento global a 1,5º centígrados, mas, para isso, há muitos desafios. Alguns países têm aumentado os investimentos em energias renováveis e metas de neutralização de carbono, outros têm maior dificuldade em alinhar crescimento econômico com redução de emissões. Atualmente, as práticas não são suficientes para que as metas sejam atingidas.

Ébano - O Acordo de Paris é um dos maiores esforços globais já feitos em resposta à crise climática, mas a execução dele ainda é bem desigual e insuficiente. De um lado quase todos os países do mundo assinaram o Acordo e criaram suas metas nacionais de redução de emissões. Isso é um avanço importante porque coloca todo mundo no mesmo jogo climático. Só que, na prática, muitos países atrasam ou apresentam metas pouco ambiciosas e isso enfraquece o resultado geral.


Por exemplo, mesmo quase 10 anos depois, nem todos entregam ou atualizam suas metas no ritmo esperado. Outro ponto que chama atenção é que o Acordo não obriga os países a cumprirem metas rígidas, o que acaba dependendo da vontade política de cada governo. Por isso, apesar dos compromissos, as emissões globais ainda não estão caindo no ritmo necessário para limitar o aquecimento a 1,5ºC, seu principal objetivo.

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