ESTATÍSTICAS APONTAM NÚMERO ABSURDO DE ACIDENTES COM MOTOCICLETAS

O site do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro informa sobre o aumento dos acidentes com motocicletas com números alarmantes, muitas mortes e mutilações permanentes.
Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea, 40% dos óbitos no trânsito são decorrentes de motocicletas, cujos acidentes representam 60% do custo do Sistema Único de Saúde (SUS).
O site G1 informa que há 144 acidentes com motocicletas, em média, por dia no Estado do
Rio de Janeiro.
O Detran/RJ oferece, gratuitamente, em sua sede do Centro do Rio de Janeiro – Avenida Presidente Vargas, 817 –, cursos para motociclistas que transportem passageiros ou mercadorias ou prestem serviços comunitários. Informações no site do Detran/RJ no setor de Educação.

O médico Antônio Amarante, major do Corpo de Bombeiros/RJ, defende a intensificação de campanhas de conscientização sobre uso de capacete, respeito aos sinais de trânsito e aos limites de velocidade. Ele defende ainda o aumento da fiscalização para coibir infrações incluindo o consumo de álcool e drogas.
Para Amarante, é preciso mudar a legislação, estabelecendo maior rigor punitivo em casos
de acidentes de trânsito com culpabilidade comprovada, tanto na esfera civil, quanto criminal, especialmente quando envolvam vítimas graves ou fatais.
Outra questão apontada pelo Major do Corpo de Bombeiros, a infraestrutura das vias urbanas e estradas brasileiras não é favorável à prevenção de acidentes devido à falta de manutenção, com muitos buracos nas vias, deficiência de sinalização e poucos agentes de trânsito.
A criação de vias exclusivas para motocicletas é uma alternativa apontada por Amarante, em conjunto com ações educativas, para reduzir o número de acidentes.

Josildo Agripino da Silva, 58 anos, motorista de ônibus aposentado e motociclista desde 1991, sofreu dois acidentes. O mais grave resultou de uma aposta para percorrer mais de 20 km em 10 minutos. O excesso de velocidade acabou em um acidente que o deixou três meses internado no Hospital Adão Pereira Nunes. Daí em diante, Josildo nunca mais quis subir em uma motocicleta.
O serralheiro Franklin Alves do Carmo, 32 anos, motociclista desde 2022, ficou imprensado entre um ônibus e uma carreta em uma via na Baixada Fluminense. Caiu embaixo da carreta, mas conseguiu girar o corpo e se livrar das várias rodas do veículo, sofrendo pouquíssimos arranhões. A motocicleta foi perda total. O susto com o acidente foi enorme, mas não o suficiente para que Franklin abrisse mão desse meio de transporte.

O carreteiro Magno Xavier dos Santos, 58 anos, é motociclista desde 18 anos. Acidentou-se, segundo ele, para evitar o atropelamento de uma pessoa idosa que atravessou a via inadvertidamente. Sofreu apenas alguns arranhões, continua a usar motocicleta e defende seu uso com responsabilidade.
Os motociclistas precisam de educação no trânsito, pilotar com consciência e responsabilidade, pois estamos com uma arma nas mãos com a qual podemos matar ou morrer.
Na ultrapassagem devemos ganhar distância e não entrar logo à frente do veículo ultrapassado, diz Magno, lembrando que as motocicletas não têm frenagem instantânea e precisa, portanto, também é preciso manter distância do veículo que está à frente.

Para Magno, as faixas seletivas para motocicletas seriam a solução final junto com a responsabilidade e consciência dos motociclistas para diminuir esses números assombrosos e alarmantes de acidentes.
Pedro Gomes da Silva, 63 anos, entregador de água mineral no Centro do Rio de Janeiro, perdeu o genro, Marcelo Couto dos Santos, mototaxista de 41 anos, em um acidente na Ponte Rio-Niterói em agosto deste ano quando levava uma passageira em seu mototáxi. Ele bateu em um caminhão parado na via devido a um pneu furado.

A passageira nada sofreu, mas Marcelo teve traumatismo torácico e, socorrido, faleceu no
Hospital Sousa Aguiar, deixando a esposa e uma filha de 12 anos, justamente no Dia dos Pais.
Ao conhecer a história de cada uma das pessoas ouvidas nessa reportagem e observar as estatísticas, aumenta o desejo de que a sociedade e as autoridades tomem consciência e atitude para reduzir esses números que saltam aos olhos. Na verdade, não é necessário procurar números, basta andar nas vias e observar os acidentes.


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