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POR DENTRO DOS RODOPIOS DO SACI

Foto do escritor: Silvia da Costa
Silvia da Costa
há 10 horas
2 min de leitura

Os vínculos que unem a humanidade à natureza

nascem do afeto, da escuta e da capacidade de brincar juntos.


Na Colônia Juliano Moreira, um projeto vem mostrando que a conexão entre pessoas, território e natureza pode ser um poderoso instrumento de inclusão, pertencimento e promoção da saúde mental. Criada por Marcelle Souza e Arthur Torres, a Sociedade Agroecológica de Cultura e Inclusão (SACI) surgiu para valorizar os saberes populares, a cultura local e as riquezas ambientais da região, muitas vezes invisibilizadas pelos estigmas que marcam o território.


Dessa proposta nasceu o Projeto Takûara, construído a partir da escuta dos moradores, dos mestres populares e dos próprios espaços da Colônia. Em vez de levar soluções prontas, a iniciativa busca aprender com o território e transformar seus ensinamentos em experiências culturais e educativas. Foi dessa observação que surgiu a escolha dos quatro elementos da natureza como eixo das atividades.


“Pensamos: por que não trabalhar com a pedagogia dos elementos?”, explica Arthur Torres. Água, terra, fogo e ar serviram como guias para vivências que relacionam cultura, memória, espiritualidade, agroecologia e brincadeira. A água remete aos rios e à origem da vida. A terra está presente nos quintais produtivos e nos conhecimentos ligados ao cultivo. O fogo simboliza a transmissão dos saberes e das tradições. Já o ar se manifesta nas histórias, músicas e encontros que fazem circular a palavra e os afetos.


A relação com a saúde mental também é um dos pilares do projeto. Muitas atividades aconteceram em parceria com a Rede de Atenção Psicossocial, dialogando diretamente com a história da Colônia Juliano Moreira, marcada por um século pela internação psiquiátrica. Hoje, os mesmos espaços passam a acolher ações que promovem convivência, criatividade e participação cultural, contribuindo para a construção de novos significados para o território.


Os mestres populares ocupam papel fundamental nesse processo. São moradores que preservam conhecimentos sobre cultivo, sustentabilidade, memória e modos de vida locais. Como destaca Marcelle Souza, “o conhecimento surge a partir do território, das camadas populares. Todo o território falou com a gente e a gente estava apto a escutar.", reforçando a importância de reconhecer e compartilhar saberes produzidos pela própria comunidade.


O ciclo do Projeto Takûara será celebrado na Festa do Saci, no dia 31 de outubro, reunindo artistas, artesãos, educadores e moradores em uma grande celebração dos saberes populares. A programação inclui apresentações culturais, atividades comunitárias e o resgate de brincadeiras infantis que estimulam a imaginação e fortalecem a relação das crianças com a natureza. Mais do que encerrar uma etapa, a festa celebra a continuidade de um movimento que transforma memória, cultura e afeto em ferramentas para aproximar humanidade e natureza.


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