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O TALENTOSO MARCELO PEREIRA MARTINS

  • Foto do escritor: Maraci Soares
    Maraci Soares
  • 13 de mai.
  • 2 min de leitura

O artista plástico da comunidade Bosque Mont Serrat


Os talentos invisíveis do Sertão Carioca são muitos — artistas de enorme potencial que, na maioria das vezes, não carecem de vontade de se mostrar, mas sim de oportunidade e voz. As comunidades da Baixada de Jacarepaguá abrigam uma riqueza artística que ainda está longe de ser plenamente reconhecida.


Nesta edição do Jornal Abaixo-Assinado, apresento um artista completo que tive o privilégio de conhecer e cuja história merece ser contada: Marcelo Pereira Martins, da comunidade Bosque Mont Serrat, em Vargem Pequena.



Marcelo relembra o início de sua trajetória:

Iniciei minha carreira artística ainda na infância, ajudando a escultora Maria Clara Arto e seu esposo, Talfik, também artista plástico. Mais tarde, estudei em uma escola em Copacabana, onde tive o apoio do meu professor de Línguas, Carlos Sérgio — um amigo solidário que gostaria muito de reencontrar para agradecer. Depois, fui estudar na Rua da Carioca com Maria Teresa Vieira, onde aprendi desenho, pintura e técnicas com modelo vivo em diversos estilos. Entrei como bolsista e permaneci por um longo período. Em seguida, surgiu a oportunidade de estudar na Sociedade Brasileira de Belas Artes, no Centro da cidade. Ganhei uma bolsa e aprendi com grandes professores e artistas. Sou muito grato à diretora Teresinha pelo apoio. Um professor especial marcou minha trajetória: Derio Silva, meu verdadeiro mestre na arte e na vida. Foram 27 anos de muito aprendizado.

Hoje, Marcelo se define como um pintor acadêmico. Seu trabalho transita entre paisagens naturais, estudos do corpo humano e, em especial, a representação de cavalos — tema pelo qual nutre grande paixão. Ele ressalta que mantém um compromisso com a estética artística, recusando propostas de cunho pornográfico.


Apesar de sua dedicação, Marcelo ainda não consegue viver exclusivamente da arte. Como tantos outros artistas brasileiros, enfrenta a falta de valorização cultural e apoio. Para sustentar-se, diversifica suas atividades: trabalha com artesanato em madeira — produzindo colheres, garfos, cabos, bancos e gamelas — além de atuar como pintor de casas e telhados, ainda é marceneiro e restaurador de móveis.


"Faço de tudo um pouco”, diz ele, “mas nunca abandono minha arte.”

A história de Marcelo é um retrato fiel de tantos talentos que resistem, criam e persistem nas margens do reconhecimento — mantendo viva a essência da arte, mesmo diante das dificuldades.

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