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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, UM ADMIRÁVEL E PERIGOSO MUNDO NOVO

  • Foto do escritor: Bianca Lopes de Freitas
    Bianca Lopes de Freitas
  • há 3 dias
  • 4 min de leitura

A inteligência artificial é uma ferramenta poderosa que pode contribuir expressivamente nas mais diversas áreas do conhecimento humano mas precisa de regulação e limites, pois assim como pode ser usada para o bem, pode também ser usada para o mal. Nesta entrevista, o especialista em cyber segurança e Tecnologia da Informação Murilo Pereira explica os meandros desse admirável e perigoso mundo novo.

Jornal Abaixo-Assinado em parceria com a Tribuna do Interior.


Tribuna do Interior - Quais os benefícios e riscos da Inteligência Artificial (IA)?

Murilo Pereira - A IA traz diversos benefícios, como a automação de tarefas, o aumento da produtividade, a análise rápida de grandes volumes de dados e o apoio a tomadas de decisões. Ela pode ser utilizada tanto por empresas quanto por pessoas comuns no dia a dia, de forma positiva e produtiva. No entanto, assim com qualquer tecnologia, também pode ser explorada com más intenções, em golpes, criação de conteúdos falsos e na exploração de falhas em sistemas diversos. Por isso, seu uso exige responsabilidade, ética e cuidados com a segurança.


Tribuna - A legislação brasileira já está adequada a esses novos tempos?

Murilo - A legislação brasileira ainda está em processo de adaptação aos avanços da inteligência artificial. Atualmente, o País conta com leis importantes, como a de proteção de dados que regula o uso de informações pessoais, mas ainda não existe uma legislação específica para IA. Projetos de Lei estão em discussão buscando equilibrar inovação, segurança, ética e proteção aos cidadãos, criando regras mais claras e punições específicas para os casos de uso indevido da IA.

No Brasil ainda não há penalidades específicas para crimes relacionados a IA. Quando a IA é usada para praticar crimes, tais como fraudes, invasão de dados ou criação de conteúdos falsos, as penalidades são aplicadas com base nas leis já existentes (Código Penal e Lei de Proteção de Dados).

Tribuna - Como e onde surgiu a IA?

Murilo - A IA surgiu nos Estados Unidos. O conceito foi apresentado em 1956 durante uma conferência na Universidade de Dartmouth com o objetivo de criar máquinas capazes de simular a inteligência humana.


Tribuna - O que é a IA?

Murilo - A inteligência artificial é uma tecnologia que permite que máquinas e sistemas simulem a inteligência humana, sendo capazes de analisar dados, reconhecer padrões e automatizar tarefas que normalmente exigiriam intervenção humana.


Tribuna - Onde podemos aplicar a IA?

Murilo - Pode ser aplicada em saúde, educação, segurança, finanças, indústria e tecnologia. Ela pode ser usada em praticamente tudo que envolve processos, análise de dados, pensamento crítico e tomadas de decisões, além de outras atividades do cotidiano, automatizando tarefas repetitivas no trabalho, oferecendo diferentes pontos de vista em projetos, fornecendo análises técnicas sem a necessidade constante de intervenção humana e realizando consultas de forma rápida sem depender de pesquisas que normalmente levariam muito tempo.


Tribuna - Existem cursos de formação para especialistas em IA?

Murilo - Sim, há cursos de formação para quem deseja trabalhar com IA, tanto para iniciantes, quanto para quem já atua na área de tecnologia. Esses cursos podem ser encontrados em universidades, plataformas online e treinamentos profissionais e discorrem sobre conceitos básicos, uso prático da IA no cotidiano, análise de dados, automação de tarefas e desenvolvimento de soluções inteligentes.


Tribuna - Qual o mercado de trabalho para os profissionais em IA?

Murilo - É amplo e está em constante crescimento. Empresas de diversos setores buscam especialistas em IA para desenvolver suas soluções, analisar dados, automatizar processos e apoiar a tomada de decisões.


Tribuna - A IA pode auxiliar na medicina?

Murilo - Sim, de diversas formas, em análise de exames, apoio ao diagnóstico, monitoramento de pacientes e organização de dados médicos. Ela auxilia profissionais da saúde a identificar padrões de imagens, resultados e históricos clínicos, tornando os atendimentos mais rápidos, precisos e eficazes.


Tribuna - Está claro, então, que a IA é auxiliar do ser humano e não sua substituta, certo?

Murilo - A inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de apoio ao ser humano, não como sua substituta porque ela opera a partir de dados e padrões previamente programados ou aprendidos. Embora consiga analisar informações com rapidez e eficiência,

ela não possui consciência, emoção, valores ou responsabilidade moral. A capacidade de interpretar contextos complexos, agir com empatia e tomar decisões baseadas em princípios éticos continua sendo exclusivamente humana.


Tribuna - Como a IA pode auxiliar na educação?

Murilo - A IA pode auxiliar na educação ao personalizar o ensino de acordo com o ritmo de cada aluno, ajudar os professores na correção de atividades e na organização de conteúdo, além de facilitar o acesso à informação. Também pode ser usada como apoio ao estudo, tirando dúvidas, reforçando o aprendizado e tornando o processo educacional mais dinâmico e acessível.


Tribuna - Certo, mas, a IA não substitui a leitura, nem a interpretação de texto que são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo dos alunos, certo?

Murilo - No campo da educação, a IA pode auxiliar no aprendizado, mas não substitui a leitura, a interpretação de texto e o pensamento crítico, pois essas habilidades envolvem reflexão, questionamento e construção ativa do conhecimento. O desenvolvimento cognitivo ocorre quando o aluno participa do processo, interpreta informações e formula suas próprias conclusões. A tecnologia pode apoiar esse caminho, mas não pode vivenciar o processo de aprendizagem no lugar do estudante.

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