top of page

A TRAJETÓRIA DO PVNC TAQUARA

  • Lenilce Flôr e Roberta Azevedo
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

De Joia da Paróquia a Legado Educacional


A história do Pré-Vestibular para Negros e Carentes (PVNC) da Paróquia Sagrada Família, na Taquara, é um relato de resistência e solidariedade que atravessa três décadas, que não pode ser contado sem falar da Pastoral da Juventude (PJ) que, além de personificar o núcleo, mantém seu elo com a Igreja na caminhada de fé e vida. Fundado oficialmente em 27 de agosto de 1994, o projeto nasceu da efervescência da Pastoral da Juventude e do apoio decisivo de figuras como o professor Antônio Eduardo e os padres Francisco de Assis e Roberto Barbosa de Melo.


O embrião do curso surgiu em 1991, quando Lenilce Flôr e Sérgio Renato iniciaram estudos domésticos. Logo atraíram jovens da Crisma em busca de oportunidades acadêmicas, porém a casa de Dona Bela ficou pequena. Pe Francisco abriu-lhes a sala de catequese e, mais tarde, Pe Roberto, o salão paroquial. O grupo ganhou corpo ao integrar-se às diretrizes da PJ e responder aos apelos sociais da época. A princípio, se dedicariam ao meio ambiente, dada a proximidade com a Reserva do Parque da Pedra Branca. Motivados pelo chamado do Papa João Paulo II com a Campanha da Fraternidade de 1992 e o Dia Nacional da Juventude de 1993, e sob a orientação do Monsenhor Gilson José Silveira, a juventude paroquial decidiu focar na educação como ferramenta de transformação para combater as desigualdades de acesso ao Ensino Superior que afetava o território local.


Sem recursos iniciais, o “Pré-Taquara” consolidou-se por intermédio do voluntariado e do suporte logístico da Igreja Matriz Sagrada Família, que oferecia desde o espaço físico até a alimentação preparada pela Pastoral da Família. Os alunos eram monitores dos estudos. A organização pedagógica inicial contou com a dedicação da professora Alexandrina (“Lurdinha”), que convidou as irmãs Elizabeth e Elizeth. No Seminário Geral do PVNC de 1995, na Unigranrio, em Caxias, João Carlos e Luciano convidaram o físico Antônio Eduardo (“Jamaica”), que dedicou mais de 30 anos ao núcleo como coordenador-geral, reconhecido como pilar e sustento – fora de cogitação seu “cancelamento”. Robson Leite e Reimont também contribuíram com nosso trabalho com responsabilidade social, política e cidadania.

A articulação política e social foi fortalecida pelo contato com Frei David Santos, gestor do movimento de Educação Popular na Baixada Fluminense. O PVNC e a Educafro, com sede em SP e representatividade no RJ, auxiliaram na estruturação do núcleo após pedido de um dos participantes da PJ que era seu amigo, Leonardo Chaves. O grupo permaneceu assíduo nas reuniões e assembleias na Paróquia São João Batista (critério imprescindível para se ligar ao movimento), estreitando laços de amizade e compromisso com Frei David e militantes de outros núcleos e nos fóruns dos Pré-Vestibulares Populares e da Pastoral da Educação. Atuavam em festas juninas e nos Festivais de Música e Poesia do Projeto Shangrí-lá, gestado por Arnóbio Nóbrega e Olívio Bonna com suas famílias, e no Grito dos Excluídos na Paróquia.


Ao longo dos anos, o projeto não apenas preparou alunos para o ENEM e vestibulares tradicionais como os da UERJ, UFRJ e outros, mas também incentivou a abertura de novos núcleos, como o Ganga Zumba, na Praça Seca, coordenado por Ana Paula Kunher, e realizou o curso Pré-Técnico por alguns anos, para auxiliar estudantes concluintes do Ensino Fundamental. Estima-se que até 70% dos alunos tenham sido aprovados anualmente, formando especialistas, mestres e doutores que, hoje, atuam no Brasil e no exterior. Com Coeficiente de Rendimento (CR ), estágios, projetos e pesquisas da FAPERJ, CNPq, entre outros, eram uma conquista diária dos alunos. Os “filhos da PUC” mantinham as bolsas de 100% por grande luta das professoras Luiza Helena; Andrea Clap, do Departamento de Serviço Social; José Carmelo, do Departamento de Educação; Frei David, com o saudoso Augusto Sampaio da Vice-Reitoria Comunitária; e Pe.Roberto, que escrevia nossa carta de recomendação. Não foi possível contabilizar todos os aprovados, mas o grupo segue nas pesquisas.


Em agosto de 2024, o núcleo celebrou 30 anos com uma homenagem póstuma a seu grande entusiasta, o Padre Roberto Barbosa de Melo, falecido em 2023, que definia o curso como uma “joia que deve ser luz na vida dos outros”. Durante a cerimônia de aniversário, foi anunciado que o projeto passaria a se chamar oficialmente Pré-Vestibular para Negros e Carentes. Pe. Roberto Barbosa de Melo e seu pai com toda a família presenciaram o descerrar da nova placa da porta da sala do Pré-Taquara, em homenagem ao filho. Atualmente, Pe Jefferson e Pe Pedro Li assumem a missão de transformar realidades por meio do ensino, preservando a memória de Pe Roberto, o trabalho dos seus fundadores e a identidade de luta iniciada na década de 1990.

Comentários


bottom of page