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VIOLÊNCIA CONTRA CAMPONESES NA DITADURA É DEBATIDA NA OAB

Atualizado: 15 de set. de 2021

No auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ocorreu na tarde de terça (19) o evento Testemunho da Verdade – Conflitos no campo do Rio de Janeiro. Evento organizado pela Comissão da verdade do Rio e o CPDA-UFRRJ onde foram chamados para dar testemunhos, militantes e parentes de militantes que sofreram perseguição, tortura e prisões durante a ditadura. A perseguição aos camponeses e a brutal violência sofrida no campo durante o regime militar, em geral, não é muito discutida. Esse evento é foi uma das iniciativas para dar visibilidade ao assunto.


Através dos relatos de Jair da Anunciação, Laerte Bastos, Roseli Borges, Jorge Francisco de Brito e Ney Fernandes, se traçou uma visão geral da repressão. Para os camponeses a violência dos militares já começou logo nos primeiros dias do golpe. E poucos registros documentais sobraram deste período, muitos foram apreendidos e destruídos pela ditadura.


Laerte Bastos, que teve sua luta pela terra na Baixada Fluminense relata, “A ditadura foi uma desgraça pra mim e minha família” e ainda completa, “Minha mulher foi presa com uma criança de colo”. Roseli Borges, filha do militante do PCB Satíro Borges,  nos mostrou que a perseguição às lideranças populares afetava principalmente às famílias, causando mudanças, perdas materiais, separações e muito sofrimento.  Os camponeses foram muito pouco atendidos pela Lei de Anistia, muitas violações ficaram ocultas e muitos danos não reparados.

Leonilde Medeiros e Larte de Bastos
Leonilde Medeiros e Laerte Bastos. Foto: Miguel Pinho

Ney Fernandes, de Valença, no interior do estado do Rio, durante seu relato diz, “As pessoas pensam que as coisas aconteceram apenas na capital, mas foi no interior que aconteceu muita coisa”.


Os trabalhos da Comissão da Verdade do Rio se encerram este ano e sairá o relatório final. Assim como a Comissão Nacional da Verdade, o poder da Comissão do Rio é apenas investigativo.  Ney em sua fala afirmou, “Não queremos que os brasileiros que pensaram um Brasil melhor sofram dessa forma”. Apesar da nossa Lei de Anistia precisar ser alterada, para que se puna os torturadores e os que comentaram graves violações aos direitos humanos durante a ditadura militar, o trabalho da Comissão da Verdade é importante para colocar a luz da história a verdade. É um direito de todos os brasileiros saber o que aconteceu. Como diz o lema dos que lutam pelo direito à memória e à verdade, “Para que não se esqueça. Para que nunca mais aconteça!”.

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