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RESSIGNIFICAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL NA BAIXADA DE JACAREPAGUÁ

A noção de patrimônio cultural envolve um conjunto de bens e valores coletivos, produzidos por uma sociedade, que se quer preservar, correspondendo a saberes e fazeres, hábitos e celebrações, objetos e monumentos. Existem dois tipos de patrimônio cultural: o material e o imaterial. Do primeiro, são exemplos as casas, igrejas e paisagens naturais; já os bens imateriais são os conhecimentos de um povo, suas formas de fazer e de se expressar, como feiras e mercados, crenças e histórias, estilos e ritmos musicais etc. 

Os bens culturais imateriais são passados de geração para geração e ajudam a formar vínculos de identidade, a preservar a memória e a história de um povo ou de uma comunidade, contribuindo para que os indivíduos possam construir vínculos de pertencimento coletivo. Na Baixada de Jacarepaguá, os casarões de antigos senhores de engenho e de fazendas de café, assim como as capelas e igrejas católicas erguidas a mando destes senhores, são facilmente reconhecidos como patrimônio cultural na região. Este conjunto arquitetônico, de certa maneira, informa sobre características marcantes da história da nossa região e do modo de vida daqueles que aqui viveram. 

Roda de Jongo do Quilombo do Camorim, 19/10/2019


No entanto, não informa o suficiente sobre a história e cultura de outros grupos sociais que viveram e que vivem nesta região, como as comunidades remanescentes quilombolas dos bairros Camorim e Vargem Grande. Reconhecidas e certificadas no ano de 2014 pela Fundação Cultural Palmares, os Quilombos do Camorim e Cafundá Astrogilda promovem ações de valorização e preservação de suas manifestações culturais de matriz africana e afro-brasileira. Com isso, contribuem para a ressignificação da noção de patrimônio cultural na Baixada de Jacarepaguá, ainda muito associado à história e à cultura de matriz europeia. Na Escola Quilombola Cafundá Astrogilda, as práticas, os saberes e os ofícios artesanais ensinados por mestras e mestres, assim como o jongo e a capoeira praticados no Quilombo do Camorim, são exemplos de bens imateriais.

São crenças e histórias, saberes e hábitos, formas de expressão e celebração relacionados à experiência histórica, à memória e à identidade cultural africana e afro-brasileira, e representam exemplos de bens culturais desenvolvidos pelos quilombos da nossa região. No Brasil, a Constituição Federal prevê proteção às manifestações que difundem as culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, por isso, a capoeira e o jongo são bens culturais imateriais registrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional, órgão responsável pela proteção e promoção do patrimônio cultural brasileiro. As formas de expressão dos quilombos de Jacarepaguá estão ressignificando o nosso patrimônio cultural e precisam ser valorizadas.

Escrito por Renato Dória

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