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Remoções arbitrárias

*Colunista Dona Jane Nascimento –

Motivo de destruição na vida de muitos trabalhadores. Vila Autódromo. Favela formada na maioria por agricultores, pescadores e autônomos. Rodeada de montanhas, rios e lagoas, em Jacarepaguá, Rio de Janeiro. Centenas de famílias, apesar de possuírem título de posse de 99 anos renováveis, RGI (Registro Geral de Imóveis) e IPTU, foram reassentadas em apartamentos. Uma atitude arbitrária, que causa grande impacto na vida dos cidadãos afetados. O governo alega conceder o benefício da “”moradia digna”” a essas famílias, porém não oferece opções que interfiram na vida delas de forma menos negativa. Pense num pescador, marceneiro ou artesão deixando sua casa e indo morar em um apartamento, sem lugar para seu barco e suas ferramentas. Sem poder utilizar máquinas, tintas e outros utensílios que necessitam de um espaço adequado para serem manuseados. Acabam desempregados! A comunidade, baseada no Plano Diretor, e com o apoio técnico de universitários, criou o Plano Popular, na tentativa de se manter integrada aos projetos da cidade. Apesar de premiado e reconhecido internacionalmente, e de contar com o suporte de muitas instituições, a Prefeitura banalizou a participação popular e criou seu próprio projeto de vinte casas iguais para as famílias que lá permaneceram. A maioria dos moradores removidos da Vila Autódromo hoje vivem em apartamentos, sem escritura e sem garantia de recebê-la. Esse tipo de ação não é raridade. Comunidades como a Vila Autódromo vivem em constante luta pelo seu direito à moradia. Os governos municipal e federal dá vez e voz aos especuladores imobiliários, em detrimento dos cidadãos que ocupam terras para sobreviver. Não há política pública de moradia para as pessoas de baixa renda no Brasil, apenas uma manipulação do dinheiro público, sem preocupação com o povo.

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