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Quilombos da Baixada de Jacarepaguá são símbolos de resistência

Atualizado: 19 de jul. de 2021

133 anos após a Abolição: continua forte a luta dos Quilombos da região

*Por Carla Scott

Brasil – 13 de maio de 1888, último país do hemisfério ocidental a abolir a escravidão. As marcas ainda estão presentes. Mesmo abolindo a escravidão, o Estado brasileiro perpetuou a tragédia social ao não integrar o negro à sociedade, deixando-os abandonados à própria sorte.

De acordo com a Constituição de 1988 e atendendo aos pedidos de ativistas negros pelo reconhecimento e reparações, os descentes dos quilombos ganharam o direito a terra que eles ocupam historicamente.

Espalhados pelo Brasil e no Rio de Janeiro, os Quilombos mantêm viva a memória das lutas que os originaram. Eles surgiram no fim da escravidão, em locais distantes e escondidos, onde os escravos fugidos ou libertos se reuniam para sobreviver e manter ativa a sua memória, cultura e religião. Estima-se que no estado do Rio de Janeiro existam aproximadamente 29 quilombos. No município do Rio de Janeiro os principais são: o Quilombo de Sacopã, na Lagoa, o Quilombo da Pedra do Sal, na Zona Portuária do Rio, e os demais estão presentes em Jacarepaguá.

A Baixada de Jacarepaguá, por ser um local próximo a vários e importantes engenhos, abrigou diversos Quilombos como: o Quilombo do Camorim, o Quilombo Cafundá Astrogilda, em Vargem Grande, e o Quilombo Aquilah, na Colônia do Curupaiti no Tanque.

O Quilombo do Camorim resiste por meio da ACUCA – Associação Cultural Quilombo do Camorim, fundada e dirigida por Adilson Almeida, que nasceu e cresceu neste Quilombo, uma comunidade de descendentes de africanos. O local promove diversas atividades e aulas de capoeira para jovens, preservando a história e a riqueza cultural da região.

O Quilombo Cafundá Astrogilda é um local lindo, cercado de muito verde e cachoeiras. O nome é uma homenagem à matriarca Astrogilda, que sempre ajudava as famílias do entorno sem nada pedir em troca. Todos os ensinamentos foram herdados pelas novas gerações, que mantêm viva as tradições como o café da manhã na roça. É uma casa com artigos da época bem preservados. Passar uma manhã no Quilombo é uma verdadeira aula de história. Vale muito programar uma visita.

O Quilombo Aquilah realiza um belo trabalho de preservação da cultura negra na Zona Oeste. Criado há 10 anos, as atividades são diversificadas. O Aquilah oferece Capacitação Profissional e Valorização das Artes de Matrizes Afro-brasileiras. São diversas oficinas e cursos, tais como: música afro, danças populares, percussão, capoeira, gastronomia regional, jardinagem, fitoterapia, entre outros segmentos de raízes africanas.

Os Quilombos são verdadeiros símbolos de resistência da cultura afro no Brasil e é preciso preservar a nossa história.

*Jornalista e Ambientalista

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