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Qual a diferença entre um e 33 estupradores?


violencia e mulher

Qual a diferença entre um e 33 estupradores?

*Por Juçara Braga – jornalista

O estupro de uma adolescente em Jacarepaguá, em maio, mexeu profundamente com o inconsciente coletivo dos brasileiros. Por todos os lados palavras de indignação, estupefação. A menina teria sido violentada por 33 homens. O número de estupradores trouxe a notícia para o topo das manchetes e balançou as redes sociais. Não se falava em outra coisa.


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Todos apontavam a barbaridade. E, de fato, isto é uma barbaridade que precisa ser severamente punida, mas, cabem algumas perguntas. Por que o estupro praticado por apenas um violador não causa comoção social¿ Por que a sociedade passa batida diante desse tipo de violência que está longe de ser rara em nosso país?


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O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2015 informa que, em 2014, foram feitas 47.646 notificações de estupro no Brasil. Ou seja, 131 estupros por dia, cinco por hora. Este, embora elevado, é um número extremamente conservador. Calcula-se que apenas 35% dos estupros são notificados.


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Ficamos chocados quando se fala sobre a cultura do estupro que ainda prevalece na Índia, mas, não olhamos nosso quintal. Vivemos uma cultura do estupro aqui mesmo, no Brasil. Quem não conhece a expressão “prendam suas cabritas que meus bodes estão soltos”? Por que aceitamos a ideia de que, ao ter sua primeira relação sexual, a menina “perde” a virgindade? Por que essa expressão não se aplica aos meninos com a mesma intensidade?

Por que, no caso dessa adolescente em Jacarepaguá, ouvimos, aqui e ali, que ela “achou o que procurava”? Por que a roupa que a menina veste é apontada como justificativa para a agressão sexual que transforma a vítima em responsável pelo crime?


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Precisamos voltar nosso olhar para isso, encarar o problema que tem, em sua raiz, a tolerância com o machismo, a ideia de posse masculina sobre o corpo da mulher e a certeza da impunidade. Enquanto não derrubarmos esse tripé, milhares de mulheres brasileiras continuarão sendo estupradas.Precisamos de educação sexual nas escolas. Urgente. Pra ontem.

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