• Jornal Abaixo Assinado

PROFESSORA MARIA APARECIDA, DIRIGENTE DO SEPE, AFIRMA QUE RETORNO ÀS AULAS PRESENCIAIS SOMENTE COM C


Maria Aparecida, moradora da Taquara, é pedagoga UERJ/FEBF, com extensão em desenvolvimento humano (Unicamp), professora da Rede Municipal de Educação, desde 1986 — atua na coordenação pedagógica da Escola Municipal Cláudio Besserman Vianna – Bussunda (7a E/CRE). É também dirigente sindical com militância na Direção Regional VI – Sepe.

JAAJ – O Sepe afirma que reabrir as escolas públicas agora seria colocar toda a população em risco. Conte-nos um pouco sobre as estratégias que o Sindicato está adotando na chamada “Greve pela Vida”.

Maria Aparecida – Nesse momento que estamos com risco alto de contágio da Covid-19, a questão da defesa da vida dos profissionais de Educação e da população carioca, torna-se mais uma vez primordial. Lembramos que a categoria também acha importante o retorno às aulas presenciais, porém com condições seguras e sanitárias para a não contaminação, em função do fato de a Covid-19 se alastrar rapidamente, promovendo mortes dos profissionais da Educação, assim como perdas em toda a população do Rio de Janeiro. As nossas escolas não cumpriram o protocolo de segurança das REGRAS de OURO em 2020 e continuam inadequadas nesse início de ano (2021). No retorno da equipe de gestão e funcionários administrativos agora, em 5 de janeiro de 2021, esses profissionais voltaram sem contar com qualquer grupo de apoio responsável pela limpeza em nossas unidades da região, expondo suas vidas ao contágio da Covid-19.

JAAJ – Quais seriam os pontos importantes para o Sepe Regional VI?

Maria Aparecida – Nós necessitamos que as unidades escolares sejam estruturadas, repeitando os seguintes pontos:

  1. Que os processos de imunização sigam o protocolo dos equipamentos, em cada escola.

  2. Todas as unidades precisam de verbas para limpeza de caixa d’água, reparos e obras emergenciais.

  3. Houve um contrato na antiga gestão municipal para a limpeza dos ares- condicionados, porém nem todas as escolas viram a efetivação desse serviço, e precisamos saber a respeito da situação desse contrato e atendimento.

  4. Que a vigilância sanitária vistorie todas as escolas, com os mesmos critérios exigidos para a rede particular.

  5. Temos visto pediatras e psicólogos defendendo o retorno, porém o Sepe vem buscando o diálogo com esses profissionais, com o objetivo de esclarecer as reais condições das nossas escolas. Portanto, a nossa categoria também precisa ser respeitada no direito à vida, assim como toda a população em questão.

  6. Os transportes públicos precisam resolver o problema da superlotação, mantendo o distanciamento e as regras de segurança para a saúde, pois, como estamos hoje, comprovamos a banalização da vida da população.

  7. E que todos os profissionais da categoria tenham a vacinação garantida na 1a fase, com os trabalhadores da Saúde e idosos, pois também lidamos com grande parte da população.

JAAJ – No início de dezembro, o prefeito Eduardo Paes escolheu o então deputado estadual Renan Ferreirinha para a pasta da Educação. Quais são as expectativas do Sepe para essa nova gestão na Secretaria de Educação?

Maria Aparecida – A nossa expectativa abrange o diálogo permanente, que respeite toda a categoria da Educação, no sentido dos direitos conquistados, e as demandas referentes à duração do tempo dessa pandemia (que tanto nos afligem). E que caminhemos na defesa da educação pública, democrática, laica, com menos injustiças educacionais. Também vale lembrar, a questão da reposição salarial, da inflação, pois já estamos há cinco anos sem atualização dos nossos salários.

O Escola Municipal Renato Leite é referência para ensino fundamental I e II e está localizada no bairro Taquara.


JAAJ – Quais são os principais problemas das creches e escolas existentes na área da Regional VI?

Maria Aparecida – Precisamos que sejam construídas mais creches e escolas, nessa área da Regional VI, pois há uma defasagem grande no que se refere à demanda populacional nos últimos anos. E ainda:

  1. A falta de recursos e verbas vem atingindo à manutenção dos equipamentos escolares e, por consequência, à qualidade da Educação carioca.

  2. O Sepe vem chamando a atenção para a questão dos quantitativos de alunos, nas salas de aula e nas creches, visando à segurança dos educandos. Destacamos a importância das creches e suas construções, porém todos precisam entender que creche não é depósito de crianças, uma vez que têm a função educacional como prioridade pedagógica;

  3. A abertura de concurso público para suprir a faltas de profissionais das escolas

 (professores, porteiros, merendeiras, agentes de apoio à Educação Especial, agentes educadores, entre outros);

  1. Defendemos a Vacina JÁ e estamos dialogando com várias entidades, entre elas a Asfoc (Fiocruz), em defesa da vida!

JAAJ – Como a categoria está se posicionando sobre o não pagamento do 13º salário de 2020 e também sobre a suspensão dos triênios dos servidores municipais até o final desse ano?

Maria Aparecida – Os servidores municipais cobram o pagamento do 13º, em função de ser um direito adquirido na luta sindical, instituído pela Lei no 4.090, de 13/7/1962. E GARANTIDO PELA Constituição Federal de 1988. O 13º salário é propulsor da economia no país e nas cidades, além de a categoria da Educação já contar com essa conquista para quitar dívidas, pagar impostos e complementar suas necessidades em geral. Vale lembrar, que muitos da categoria são arrimos de família e sustentam outros familiares nessa crise de desemprego no RJ. A questão da suspensão dos triênios até o final de 2021 é abusiva, pois também é um direito conquistado que complementa o salário do trabalhador municipal, que já está há cinco anos sem aumento salarial. O Sepe entrou com uma ação no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro contra os efeitos da Lei Federal no 173/2020, no sentido de combater a sucessiva retirada de direitos dos funcionários públicos, o que afeta mais uma vez as condições de vida da categoria.

O Escola Municipal Roberto Burle Marx é referência para ensino fundamental I e II e está localizada no bairro Jacarepaguá. Em 17 de novembro, a Prefeitura autorizou o retorno das aulas presenciais para o 9º ano e o último ano do PEJA (Jovens e Adultos). Em 30 de novembro fechou por causa da Covid.


0 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
jaajbr.png