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Pezão e as “águas de maio”

Por Miguel Pinho


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As chuvas são entidades místicas, que se manifestam na ausência de guarda-chuvas. A expectativa exagerada com as nuvens cria inibição. Nuvens inibidas não choram sobre as cidades e a terra seca no campo.

Por ser um fenômeno de natureza mística, o governo do estado do Rio de Janeiro tomou atitude correta ao se aconselhar com o Cacique Cobra Coral sobre a crise hídrica. Esse é um nome bonito para dizer que vai parar de pingar água na torneira. O Cacique disse que até maio do ano que vem volta a chover, e os reservatórios atingiram o limite máximo. Se ele disse, está tudo bem; mas era mais certo se fosse um pajé.

Ainda não choveu tudo que precisava, mas quem se importa? Tem até maio para chover. Se não chover? Ninguém tem culpa. É um problema que não é da gestão pública. É culpa de São Pedro.  Desmatamento? Óbvio que não. Falta de investimento na Cedae? Muito menos. A culpa é  provavelmente sua, que esquece de fechar a torneira enquanto escova os dentes. Ou pior, você que anda sempre prevenido de guarda-chuva na mochila, sempre aguardando uma chuvinha dos céus.

Eu diria que o Pezão está brincando com a água do povo fluminense. Mas nem água vai ter para brincar se no verão de 2016 não houver um “dilúvio”, digno de um financiamento para barcas semelhantes às de Noé.

Pezão está brincando com fogo. E quem com fogo brinca, como dizia vovó, acorda molhado. E isso só vai servir mesmo para dar trabalho ao pessoal da limpeza do Palácio Guanabara,¹ pois não enche reservatório algum.

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¹ Palácio Guanabara é a sede do governo estadual do Rio de Janeiro

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