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Os casos de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti aumentam em Jacarepaguá

*Jornalista Roberta Azevedo

No período compreendido entre os meses de outubro e abril aumentam os casos de dengue, zika, chikungunya e febre amarela, em função das chuvas irregulares e do aumento da temperatura, que facilitam a proliferação do mosquito Aedes aegypti. De janeiro a maio, a transmissão pode ocorrer com maior intensidade, pois é quando o mosquito se desenvolve com mais rapidez, facilitando a transmissão das quatro doenças. Os ovos do inseto podem permanecer grudados nos recipientes por até 450 dias e no homem a incubação do vírus pode durar de três a quinze dias. Recentemente, o Ministério da Saúde divulgou um levantamento nacional dos casos de dengue e chikungunya e constatou um crescimento significativo de pessoas infectadas pelos vírus das duas doenças no primeiro trimestre de 2019. De janeiro a março deste ano, no Rio de Janeiro, foram registrados 1.844 casos de dengue e 6.765 de chikungunya – número recorde já que representa mais da metade do casos da doença em todo o país. De acordo com o órgão federal, a região mais afetada pelas duas doenças no estado é a Zona Oeste. Nos três primeiros meses do ano, cerca de 222 moradores de Jacarepaguá tiveram dengue e 521, chikungunya. Para o técnico de informática, Milton da Mata Xavier Júnior, de 39 anos – que mora no Pechincha e pegou chikungunya recentemente – o aumento do número de casos dessas doenças deve-se, principalmente, ao descaso das autoridades públicas – que não fiscaliza os terrenos abandonados da região – e ao descuido da população que deixa água limpa parada dentro de casa. “Suspeitei que estava com a doença quando comecei a sentir dores na cabeça, nos olhos, no corpo e nas articulações e tive febre alta. Além disso, percebi o aparecimento de manchas avermelhadas na pele e senti muita coceira”, contou Milton. Em janeiro deste ano, 80% dos moradores de um condomínio do Remy, na Taquara, pegou zika ou chikungunya. Cerca de 340 pessoas moram no loteamento, que foi afetado pelo surto das duas doenças. Eles atribuem os casos ao descaso da Prefeitura – que não limpa, nem conserva e fiscaliza os terrenos baldios da região que estão repletos de mato e poças, facilitando a reprodução do mosquito. Na Estrada do Rio Grande, também na Taquara, dois terrenos têm preocupado os moradores do Condomínio Mio Residencial Parque, localizado na Avenida dos Mananciais. Um deles, pertencente à Prefeitura, está cheio de mato, equipamentos velhos abandonados e bolsões de água; e no outro, da construtora Living, foram abertas duas piscinas e um buraco que – em decorrência das fortes chuvas ocorridas nos meses de fevereiro e março – estão com muita água parada acumulada. Alguns moradores do condomínio – que foram infectados recentemente pelo mosquito – acreditam que ficaram doentes em decorrência da falta de fiscalização do poder público municipal que, apesar de já ter recebido inúmeras reclamações pelo número 1746, ainda não notificou a construtora responsável pela obra em execução para que a mesma retire a água acumulada dos buracos, onde futuramente serão construídas duas piscinas.              No início de abril, a supervisora de limpeza Miryam Fonseca, de 57 anos, foi picada por um mosquito e contraiu chikungunya quando passou um fim de semana na casa da sobrinha Camila Fonseca – que é moradora do residencial, localizado nos fundos da obra. “Comecei a sentir muitas dores no corpo após visitá-la. Não conseguia andar direito, pois tive muitas dores nas pernas e nas juntas”, afirmou Miryam. Os moradores cobram uma ação efetiva das autoridades para que outras pessoas não sejam afetadas por essas doenças.

Créditos das fotos: Piscinas da obra da construtora Living (vista do alto) – Melissa Soares de Pina



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