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OS 155 ANOS DO FIM DA GUERRA CIVIL AMERICANA E A HISTÓRIA (QUASE) ESQUECIDA DOS SULISTAS QUE EMIGRAR

A Guerra de Secessão, também conhecida como Guerra Civil Americana, ocorreu no território estadunidense, entre 1861 e 1865. Esse conflito foi iniciado quando os estados do Sul saíram da União e formaram os Estados Confederados da América. O conflito foi motivado pela divergência que havia entre os dois grupos a respeito da abolição da escravatura e do modelo de produção que seria adotado nos novos territórios que estavam sendo ocupados no Oeste. O Sul sustentava a extensão do modelo escravista para essas áreas, enquanto o Norte defendia que nos novos territórios o trabalho escravo deveria ser proibido. 

Durante esse conflito, foi promulgada, em1º de janeiro de 1863 a Lei de Emancipação dos Escravos, posteriormente reafirmada com a 13ª Emenda Constitucional. A Guerra Civil Americana terminou oficialmente em maio de 1865, com a derrota dos sulistas, sua reintegração à União e com a abolição definitiva da escravidão no país.

Os fatos retratados acima são ensinados em escolas de todo o Brasil por professores de História dos Ensinos Fundamental e Médio. Entretanto, existe um acontecimento relacionado com a Guerra de Secessão que é pouquíssimo conhecido pelos brasileiros: a migração de milhares de sulistas para o nosso país após esse conflito.

Entre 1865 e 1868, cerca de 3.000 estadunidenses vieram para o Brasil e estabeleceram colônias nos atuais municípios de Santarém (PA), Juquiá (SP), Eldorado (SP), Santa Bárbara d’Oeste (SP), Linhares (ES), Santa Leopoldina (ES) e Paranaguá (PR). Grande parte dessa população veio para o nosso território com a intenção de adquirir terras férteis para a prática agrícola. É importante lembrar que, mesmo com a proibição da entrada de africanos cativos no Brasil, nesse período a escravidão ainda existia no nosso país e a possibilidade de reproduzir aqui as relações de trabalho existentes anteriormente nos Estados Confederados também foi um importante atrativo para esses sulistas. 

Além dos agricultores, vieram para o território brasileiro diversos profissionais, como maquinistas, lojistas, médicos, dentistas, artesãos, professores e sacerdotes. Todos foram atraídos pelas vantagens oferecidas pelo governo imperial e pretendiam estabelecer povoamentos definitivos em nosso território. A maioria fracassou. A experiência mais exitosa foi a colônia de Santa Bárbara d’Oeste, onde os estadunidenses, liderados pelo coronel William Hutchinson Norris, cultivaram cana-de-açúcar e algodão. Nessa localidade, foi fundada a Vila Americana que, em 1924, conquistou a sua autonomia política e administrativa, constituindo o Município da Villa Americana. O nome Americana somente passou a designar a cidade a partir de março de 1939. 

A rivalidade existente entre sulistas e nortistas também se manifestou no território brasileiro. No livro “O Sul Mais Distante — Os Estados Unidos, o Brasil e o Tráfico de Escravos Africanos”, o historiador Gerald Horne afirma que no início de 1867, no Rio de Janeiro, um grupo de nortistas atacou e tentou queimar um moinho pertencente aos confederados. Outra obra muito importante para entender o assunto é “A Colônia Perdida da Confederação — A Imigração Norte-Americana para o Brasil após a Guerra de Secessão”, do diplomata Eugene C. Harter. 

Escrito por Val Costa.

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