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Os 100 anos do bairro da Penha

Rio de Janeiro – Santuário da Penha, na zona norte, completa 380 anos. Durante todo o dia de hoje (03/10) haverá extensa programação para festejar a data (Tomaz Silva/Agência Brasil)


JAAJ nos 100 anos do bairro da Penha

*Historiador Val Costa

A Penha é um bairro carioca localizado na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. Segundo o Censo de 2010, possui 78.678 habitantes, distribuídos por uma área de 581,13 hectares.

Em 22 de julho de 1919, o Decreto nº 1376 separava a Penha da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá. Os atuais limites do bairro foram estabelecidos pelo Decreto Nº 3158, de 23 de julho de 1981, com alterações do Decreto Nº 5280, de 23 de agosto de 1985.

O nome do bairro significa “grande morro de pedra” ou “penhasco”. Ele faz uma referência ao penedo sobre o qual se encontra a Basílica Santuário de Nossa Senhora da Penha de França, popularmente conhecida como Igreja da Penha. Ela foi idealizada pelo capitão português  Baltazar Abreu Cardoso, dono de duas fazendas na região: a Fazenda do Engenho da Pedra e a Fazenda de Nossa Senhora da Ajuda. Diz a lenda que Baltazar, ao ser atacado por uma cobra, pediu a proteção da mãe de Jesus. Agradecido por ter se livrado do perigo, ele construiu, em 1635, uma pequena capela no topo do Morro da Penha. Em 1728, essa ermida foi demolida pela Venerável Irmandade de Nossa Senhora da Penha, que edificou um templo maior no seu lugar.  Em 1870, essa capela também foi substituída por uma igreja ainda maior, com uma torre e novos sinos. Em 1900, houve outra intervenção: foram construídas duas novas torres, que mais tarde, em 1925, receberiam 25 sinos afinados em tons diversos. Para ter acesso ao templo, o visitante pode usar o bondinho ou subir os 382 degraus esculpidos diretamente no penhasco. Em 21 de junho de 1990, através do decreto Nº 9.413, a Igreja da Penha foi tombada definitivamente pelo poder público municipal.

Da atual Avenida Lobo Júnior até o bairro de Ramos existia uma praia denominada “Praia da Maria Angu”. Nela, havia um porto que era usado para escoar a produção de açúcar das freguesias de Irajá, Inhaúma e Campo Grande para o centro da cidade. Durante a gestão do prefeito Pereira Passos (1902-1906), uma linha de barcas passou a fazer o trajeto entre o Porto da Maria Angu e a Praça Quinze. No início dos anos 1940, grande parte dessa área foi aterrada para a Construção da Avenida Brasil. O que restou desse litoral foi a Praia de Ramos, atualmente imprópria para o banho em decorrência da grande quantidade de esgoto lançado na Baía de Guanabara.

Na Penha existia um importante matadouro, onde hoje está o Conjunto Habitacional do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários. Ele abatia o gado criado na Fazenda de Santa Cruz. O bairro também abrigou a famosa fábrica “S.A. Cortume Carioca”, que se transformou na maior indústria de couro da América Latina durante os anos 1930 e 1940. O terreno do antigo curtume abriga atualmente o condomínio Viva Penha Clube.

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