• Renato Dória

O QUE A GEOGRAFIA NOS TEM A DIZER SOBRE A PRESENÇA QUILOMBOLA EM JACAREPAGUÁ

A geografia da Baixada de Jacarepaguá fornece pistas para uma investigação sobre a história da resistência dos povos africanos escravizados no Brasil e parecem confirmar que a presença quilombola foi expressiva na região. Algumas áreas do Parque Estadual da Pedra Branca e do Parque Nacional da Tijuca sugerem ter existido, além de quilombos, alguns núcleos de população forra, ex-escravizados que conquistaram a alforria. Medindo cerca de 483m de altura, a Serra dos Pretos Forros é uma destas localidades. Cortada pela av. Menezes Cortes, a famosa Serra Grajaú-Jacarepaguá, a Serra dos Pretos Forros é situada no setor D do Parque Nacional da Tijuca e o elo, composto por vegetação e maciço, entre os bairros de Água Santa, Lins e Méier, do lado norte; e Freguesia, Pechincha, Tanque e Covanca do lado oeste, na Baixada de Jacarepaguá.


Outro exemplo é a Pedra do Quilombo, localizada na área do Parque Estadual da Pedra Branca, mede cerca 735m de altura e fornece uma vista panorâmica da Baixada de Jacarepaguá. Seu acesso se dá pelo Núcleo Pau da Fome do mesmo Parque e para chegar até esta pedra é preciso pelo menos de 2h e 30min de caminhada por mata adentro. Um terceiro exemplo é a Pedra do Calembá, situada em Vargem Pequena, próxima à favela do Fontela e do rio Portelo, mede aproximadamente 321m. Calembá seria uma corruptela da palavra quilombo e até a década de 1960 era comum ouvir dizer na localidade que a pedra abrigara um quilombo.


No século XIX, os quilombos viviam em constantes enfrentamentos contra as forças policiais da ordem imperial brasileira e, por isso, a localização da maioria dos quilombos privilegiava, principalmente, os lugares cujo acesso fosse difícil às forças da ordem imperial. Com isso, a intenção dos aquilombados era evitar o aprisionamento, manter a defesa do território e condições vantajosas para fuga. Não à toa, ao longo do século XIX na cidade do Rio de Janeiro muitas diligencias foram efetuadas para destruir quilombos e aprisionar os escravizados fugidos: durante a década de 1850 nas matas da Tijuca e do Andaraí; em 1826 na Lagoa. Inhaúma, Irajá e Engenho Velho também foram áreas de presença quilombola. Vale lembrar que ainda no século XIX estas eram consideradas áreas rurais, principalmente os bairros da zona norte da cidade.


Assim, muitos quilombos foram erguidos nas antigas áreas rurais da cidade, nos morros da cidade ou em sítios próximos ao território urbano, como os charcos e as encostas de morros que apresentavam coberturas florestais e possibilitava a ocultação destes núcleos de resistência.

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