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O início da ocupação da Barra da Tijuca


Av. Ayrton Senna e Av. das Américas em 1975

YAKARÉ UPÁ GUÁ – Por Val Costa*

A Barra da Tijuca é um local privilegiado em muitos aspectos: o seu complexo lagunar, as suas belíssimas praias e a existência de equipamentos de entretenimento, hospedagem e serviços, fazem desse local um dos principais pólos de lazer da cidade do Rio de Janeiro. O bairro foi um dos que mais cresceu nos últimos 20 anos. Hoje possui 135.924 habitantes (2010) distribuídos em uma área de 35,93 quilômetros quadrados.

A primeira menção em um documento oficial do nome “Barra da Tijuca” ocorreu na petição feita pelos irmãos Martim Correia de Sá e Gonçalo Correia de Sá ao pai e então governador do Rio de Janeiro – Salvador Correia de Sá – com o objetivo de obterem a concessão das terras que hoje compreendem a Baixada de Jacarepaguá. Em uma parte desse documento, datado de 1594, pode-se ler: “E agora haverá nove anos que mandou Vossa Mercê por aí um índio por nome Mandu, com seus escravos na dita Barra da Tijuca, o qual esteve aí dois ou três anos fazendo roças (…)”.

Em 1640, na “Carta da costa situada entre a Enseada de Ubatuba e o Pão de Açúcar”, o nome da localidade aparece como “Barra de Tojuca”. Esse documento foi escrito pelo cosmógrafo português João Teixeira, autor do famoso Livro Universal das Navegações.


Av. Ayrton Senna 2016 (2)

A palavra “tijuca” tem origem indígena, podendo ser corruptela de tey que, vereda, possivelmente o caminho que os Tamoios faziam para chegar até o litoral. Uma outra expressão – ty yuc – que significa água podre, brejo ou lama, também era utilizada pelos nativos para designar as áreas alagadas da região. Pela dificuldade em realizar trocas hídricas com o mar, as lagoas da Baixada de Jacarepaguá têm a tendência natural em se transformarem, pelo assoreamento (processo de deposição de sedimentos nos corpos d’água) contínuo, em áreas encharcadas, podendo até desaparecerem. Já “barra”, dentro da geomorfologia, é um banco ou uma coroa de sedimentos carregados pelos cursos d’água e depositados na foz de um rio.

No início da colonização, as terras da Barra pertenciam à família Correia de Sá. Ao longo dos anos foram transferidas para os seus sucessores através do morgadio. O morgado era um vínculo entre um pai e sua descendência no qual os bens do patriarca são transmitidos ao filho primogênito, sem que este os possa vender. Em 1837 foram extintos os morgadios no Brasil. Essa extinção possibilitou que os descendentes dos irmãos Gonçalo e Martins vendessem as propriedades herdadas, aos pedaços, de modo desordenado. Uma grande parte foi comprada por Antônio Serpa Pinto. No século XIX, onde hoje estão os loteamentos “Jardim Oceânico” e “Tijucamar”, foi fundada a Fazenda da Restinga, posteriormente dividida em glebas, designadas pelas letras do alfabeto de A até H.


Localização da Barra da Tijuca     Fonte IPP

*Pesquisador do IHBAJA e Professor de História

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