• Jornal Abaixo Assinado

O abandono das Vargens

Rio Morto ao abandono


*Júlio César

Nos anos de 1890, na região das Vargens, mantinha-se a cultura da cana de açúcar e; posteriormente, o ciclo do café.  A partir da década de 1990, a paisagem agrícola de Vargem Grande foi alterada por um surto de urbanização. Do núcleo urbano inicial, surgiram novos loteamentos, condomínios e comunidades de baixa renda, como a Vila Cascatinha, somando-se às comunidades do rio Morto e da Beira do Canal.

A imagem de um bairro rural, ligada à natureza, com a esplêndida paisagem florestal do Maciço da Pedra Branca ao fundo, terminou por transformar a região em um polo de ecoturismo, onde passeios a cavalo, aluguel de sítios, criação de plantas ornamentais e trilhas rústicas somam-se a outro fator de atração: o Polo Gastronômico; com restaurantes rústicos e variados.

Nada disso atualmente tem importância para o poder público.  Seja Municipal, Estadual ou Federal, haja vista o abandono das Vargens; tanto nos mínimos, quanto nos máximos cuidados. Seja em uma simples fiscalização, manutenção ou investimento. O abandono é visível a olho nu: na degradação ambiental; especulação imobiliária; falta de segurança, saúde, educação; manutenção das vias, rios e canais que se encontram totalmente assoreados.

Nossos animais silvestres estão morrendo atropelados ou caçados por pessoas inescrupulosas. Quando seu espaço é invadido, a única opção são as vias públicas, onde, constantemente, podem ser vistos andando desorientados, a qualquer hora do dia ou da noite, tornando-se vítimas fatais.

Placa pequena avisando sobre animais na pista


É necessária uma fiscalização mais ativa e rígida; a colocação de uma tela de proteção em toda a extensão do Canal de Sernambetiba: conhecido como Canal do Rio Morto, se forma a partir do encontro dos rios Vargem Grande e Morto e deságua no Oceano Atlântico . O curso d´água possui 4,5 km de extensão e é cortado pelos rios Vargem Grande, Bonito e Morto, canais do Cascalho, das Piabas do Porte-lo e Dreno.

Até quando assistiremos a esses crimes, conviveremos com esses abandonos?

Precisamos assumir uma posição firme e levantar a nossa voz contra essa situação!

Eu estou fazendo a minha parte. E você?

*Colunista do JAAJ, morador das Vargens e escritor

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