• Jornal Abaixo Assinado

MOVIMENTO UNIÃO POPULAR (MUP): SUA HISTÓRIA DE LUTA

Desta vez, trago uma história bem significante de um personagem que, durante anos, se fez presente, fortalecendo as 28 comunidades da região das Vargens, Camorim, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes: o MUP – Movimento União Popular.

Na época, éramos um por todos e todos por um. E, por esta razão, o MUP se personificou como o “coração” de todos. O Movimento surgiu em 2002, e atuou em defesa das comunidades na luta pela saúde, educação, urbanização, saneamento, contra as remoções forçadas e pela posse da terra, até 2009. 

O Jornal Abaixo-Assinado sempre nos apoiou, e nesta matéria traz algumas declarações de participantes do MUP sobre a importância do Movimento na vida de cada um e de suas comunidades, além de mostrar o seu significado e a necessidade de o cidadão agir e não apenas esperar resultados das políticas públicas para a região onde mora.

Escrito por Jane Nascimento

Depoimentos de militantes sobre a atuação do MUP

Maraci Soares – Comunidade Alto Camorim

“O MUP representou as comunidades da Baixada de Jacarepaguá em um momento em que não tínhamos representatividade.” 

Altair Antunes – Comunidade Vila Autódromo

“O MUP foi muito importante na minha vida. Ensinou-me a lutar pela Vila Autódromo, com moradores de Vargem Grande, e conseguiu que ela fosse incluída na Aeis – Área de Especial Interesse Social, para fins de moradias. Esta luta nunca poderia ter sido interrompida. Deveria continuar em outras comunidades com necessidade de movimento igual a este. Sofri com outras desapropriações, mas quando me envolvi nessa luta, aprendi muito como me defender e combater as desigualdades desse país, por conta dos governantes. Fica a minha saudade do MUP. Gostaria muito que voltassem as reuniões.” 

Sérgio Luiz – Comunidade Vila Harmonia

“O MUP para mim foi uma iniciativa tomada em defesa dos excluídos, que chamam de favelados. Então, não só para mim, mas para muitas comunidades, foram dadas voz e a oportunidade de mostrar a indignação pelos atos praticados pelos órgãos públicos, que deveriam nos acolher, escutar e proteger dos algozes que, na verdade, eram eles mesmos. É uma pena que nosso povo tenha sido privado de tantos direitos, entre os quais, o mais importante: a educação. O Movimento União Popular fez esse papel, que foi de grande importância para mim e para todos.”

Maurício Mup – Comunidade Coroado

“O MUP foi essencial por vários motivos. O mais importante deles foi o despertar das consciências de pessoas simples que, apesar de serem excluídas e marginalizadas, tiveram a oportunidade de se descobrir como pessoas de direito, de se reconhecerem como uma classe social. A formação da consciência política de que podemos e devemos nos organizar de forma solidária para fazer a transformação. Destaco, também, a formação da consciência do ser coletivo muito forte nas ações do Movimento. É claro que houve muitas conquistas concretas que, no contexto daquele momento, foram bastante significativas, mais são simbólicas.”

Antônio – Comunidade Parque Aquático

“O MUP foi muito importante para mim. Sinto muita falta daquele tempo em que a gente se reunia todas as segundas-feiras, para discutir sobre nossas comunidades, que estavam na linha de fogo. Sem contar as amizades que a gente fez por aí. Andamos e conversamos muito. Faz muita falta. Quando existia o MUP, as comunidades tinham mais segurança, e o grupo era grande. E era um por todos e todos por um. Nós não abríamos mão de nenhuma das nossas comunidades. Sem contar as vitórias e conquistas que a gente conseguiu.”


Jannimária –  Comunidade Bosque Mont Serrat 

“O MUP não só me fez melhorar como pessoa, como também me deu a oportunidade do aprendizado. Aprendi que conhecimento é poder, e que quando transmitimos esse conhecimento aos nossos pares, conquistamos nossos direitos, e deles não abrimos mão. A luta é constante, e nós, como seres reflexivos a atuantes, temos o dever de jamais baixarmos as nossas cabeças diante das incertezas da nossa sociedade injusta e opressora. Esse é o grande legado que o MUP deixou.”

Jorge Santos – Comunidade Vila Recreio Dois

“O MUP foi importante porque mostrou a existência de meus iguais. Iguais nas demandas pelos serviços públicos que me eram negados, igualados pela exclusão, iguais pelos sonhos, iguais por necessidade absoluta de direitos adquiridos negados. Importante porque me deu coragem para buscar meus direitos, fazer prevalecer nossa voz para arrombar portas da indiferença. Por fim, para perder o medo de ter “medo”.  Me mostrou o mundo dos “dignos”. Ao mesmo tempo, me apresentou para esse mundo da dignidade. Daí, formei e formamos compromissos mútuos, na direção da natureza dos direitos humanos. Estes caminhos percorridos até aqui me deram parceiros(as), colaboradores(as), que ajudaram muito a construir o MUP. Por sua vez, o MUP nos lapidou em nossa formação crítico-política. Enfim, o MUP  foi, é e será muito importante por ter  mostrado meus iguais, para com eles alimentar a coragem para continuar na luta pela sobrevivência da dignidade comunitária.”

Rita – Comunidade Vila Nova 

“O MUP na minha vida como presidente da comunidade Vila Nova, foi um movimento de força e peso, muito importante na época. Isso fazia todas as comunidades da região, onde o MUP atuava, se sentirem seguras e amparadas. Toda vez que tinha ameaças de remoção, o MUP se fazia presente, com mobilização, palestras e conversas com os moradores. Isso fortalecia as lideranças comunitárias.” 

Jane Nascimento – Comunidade Vila Autódromo

“Foi a minha primeira escola de luta por direitos sociais. Aprendi que ninguém chega a resultado nenhum se não tiver um grupo com o mesmo interesse. Descobri a importância de por que devemos lotar as plenárias das chamadas casas do povo. Aprendi que é dessa forma que podemos intimidar uma votação corrupta. Passei a ter consciência que não se espera vitórias de braços cruzados e que devemos nos armar conscientemente de uma ousadia sem fim.” 

Lúcia Bitaraes – Comunidade Rio Bonito no 30 

“Pra mim foi uma escola de aprendizado.”

Fátima Tardin – Coletivo Jorge Borges

“Conheci o Movimento União Popular (MUP), que reunia moradores de favelas da região do Recreio dos Bandeirantes, Vargem Grande, Vargem Pequena e Camorim, através do meu trabalho como assessora durante o mandato do vereador Eliomar Coelho. Um colega do mandato, o companheiro Olívio Bonna, morador da Taquara, me apresentou a Maurício Braga e a outros moradores das regiões de Jacarepaguá e Vargens, ainda no final dos anos 1990. Em 2002, houve interesse desses moradores para garantir a permanência em suas terras, em busca de entender o chamado PEU de Vargens, um Projeto de Lei de iniciativa da Prefeitura, que tramitava na Câmara Municipal. Foram anos de um processo político muito rico, tanto para a atuação do mandato (o MUP esteve presente no Plenário da CMRJ em dias de discussão e votação do Projeto de Lei, o que foi fundamental para aquele projeto ter sido derrotado) como, principalmente, para o movimento popular, porque foi daí que nasceu o MUP. Outra experiência fundamental referente à organização do MUP foi a criação, em 2007, do Conselho Popular, que surgiu da necessidade de fortalecer a resistência diante do aumento, desde 2005, de políticas e ações arbitrárias contra os moradores de favelas. A atuação e ação do MUP conseguiram manter uma perspectiva crítica no debate político e sempre de respeito às decisões do coletivo dos moradores das comunidades, tornando-se escola e referência para muitos moradores da região.”

Carlos Motta – Diretor do CE Profº. Teófilo Moreira da Costa

“O MUP conseguiu, através da integração com o colégio, pautar temas como: moradia, especulação imobiliária e direito à cidade nos temas transversais do currículo, e isso foi muito importante para a formação de inúmeros jovens.”

Silvia Baptista – comunidade de Vargem Grande

“O MUP foi a minha grande escola de formação política. Antes, eu havia participado do Movimento Negro e do movimento de mulheres nos anos 1980. Porém o MUP trouxe a luta de classes para o local, e aí entendi que as organizações comunitárias têm um impacto diferente sobre nossos próprios territórios. É no local onde as coisas acontecem. Passei por uma transformação pessoal e por uma nova leitura do meu território de vida a partir do MUP.”

Lúcia – Pastoral de Favelas

“A importância do MUP para mim é por ser um movimento de moradia a favor e defesa dos pobres e favelados das comunidades.”

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