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MOBILIDADE URBANA


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Jacarepaguá: mobilidade para poucos

*Por Leandro Ribeiro

            A mobilidade urbana da cidade do Rio de Janeiro é um tema que vem preocupando cada vez mais quem se preocupa com uma cidade mais democrática, ou seja, uma cidade não apena para alguns. Essa questão é importantíssima quando se trata de uma cidade desse porte, onde as pessoas precisam se deslocar grandes distâncias para estudar, trabalhar e se divertir. Quando a mobilidade dessas pessoas está nas mãos de um grupo de empresários e não do Estado, ou até delas mesmas, é quase que consequência o interesse desses empresários se sobreporem aos interesses das pessoas, causando consequências sociais gravíssimas.

           A cidade do Rio de Janeiro tem peculiaridades que, justamente por serem peculiares, precisam de um olhar mais atencioso, para que a população não sofra as consequências de um crescimento desordenado e sem planejamentos que beneficiem a população. Um famoso exemplo dessas peculiaridades é a sua geomorfologia, ou seja, forma de seu terreno, mais conhecido como “relevo”. Nossa cidade cresceu e se fincou entre três grandes maciços costeiros: O Parque Estadual da Pedra Branca, O Parque Nacional da Tijuca, mais conhecido como maciço da Tijuca e o Maciço do Mendanha (Figura 1).


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            Essa peculiaridade de nossa cidade é um dos fatos que faz com que a questão da mobilidade seja um problema crônico aqui. O deslocamento de um morador da Zona Oeste, por exemplo, para o Centro, cujo qual é o centro comercial da cidade, é muito complicado por consequência de os maciços não proporcionarem essa ligação direta e o poder público não fazer, também, sua parte para amenizar essa característica natural da cidade.

            A baixada de Jacarepaguá, onde nós moramos, como pode-se observar na imagem, se encontra no meio de dois grandes maciços e isso faz com que nosso bairro fique praticamente isolado de outros pontos da cidade. Pouquíssimas são as ligações que nos fazem ter um deslocamento para a Zona Norte e para a própria Zona Oeste. Possuímos pouquíssimas opções quando falamos de vias que nos ligam para o Centro, por exemplo. Possuímos a serra Grajaú-Jacarepaguá, que liga nosso bairro ao bairro do Grajaú. Também possuímos a via expressa Linha Amarela, que nos liga à Barra da Tijuca e à bairros da Zona Norte, até a Linha Vermelha. Possuímos a Estrada do Catonho, que nos liga ao Bairro de Sulacap dentre algumas poucas outras alternativas. Mas já está mais do que provado que, em horários de pico, essas alternativa não suporta a vazão de automóveis.

 Porém, o problema está aí: Em uma cidade onde o principal transporte é o rodoviário – que, diga-se de passagem, não é um transporte de massa – cada vez mais a cultura do carro próprio é enaltecida, propositalmente é claro, pois abarca interesses de vários lados, e a quantidade de automóvel na rua, que já é absurda, só tende a aumentar. Onde vamos parar? Vamos parar, de fato? Parece que sim. Cada vez mais, o morador da baixada de Jacarepaguá demora mais para se deslocar de casa para o trabalho e de volta para casa, baixando sua qualidade de vida e interferindo em outras esferas da mesma, como em sua vida pessoal.

            Fica o alerta de que nosso papel, enquanto cidadãos, é de criticar o modelo de mobilidade urbana que nos é enfiado goela abaixo e apresentar propostas. Discutir, debater e refletir criticamente: Quem, de fato, tem o direito de ir e vir, dentro da cidade do Rio de Janeiro? E nós, de Jacarepaguá, o que podemos reivindicar para a melhoria do nosso trânsito que, diga-se de passagem, é caótico?

*Estudante de Geografia da UERJ/FFP e morador da Taquara.

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