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Lagoas da Barra e Jacarepaguá: estão morrendo?

Poluição na lagoa de Jacarepaguá


Será o fim das nossas lagoas?

*Texto de Carla Scott

Nossas lagoas estão morrendo…O tom esverdeado que cobre as lagoas da Barra e de Jacarepaguá e o mau cheiro faz ligar o alerta vermelho. 4 mil litros de esgotos não tratados são jogados por condomínios residências e comerciais nas bacias da zona oeste.

O dado é alarmante, cerca de 80% das lagoas da Barra da Tijuca e Jacarepaguá transformaram-se em ilhas de lama e lixo. É possível ver vários pontos assoreados, além de muito lixo nas margens (garrafas PET, sofás, seringas, brinquedos, sacos plásticos, etc). Os rios que deságuam no complexo lagunar perderam a sua função e hoje são parte da rede de esgoto.

De acordo com o Inea, as lagoas de Jacarepaguá sofrem com o assoreamento (baixa profundidade) e com a contribuição de matéria orgânica de origem natural e esgotos irregulares pelos rios de sua bacia, o que favorece o crescimento de cianobactérias. Estas cianobactérias são altamente tóxicas, podendo causar inclusive câncer no fígado. A mortandade dos peixes também são frequentes devido a falta de oxigênio.

A promessa era que é sistema lagunar estivesse livre da poluição em 2016, durante os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. No documento apresentado pelo Rio de Janeiro ao Comitê Olímpico Internacional (COI) na época da candidatura para sediar os Jogos de 2016 tinha o legado ambiental como uma das prioridades. Nenhuma promessa foi de fato alcançada. No Item 6 (Meio Ambiente e Meteorologia), o texto colocava como objetivos de curto e longo prazo a recuperação dos rios e córregos da cidade, e citava particularmente o sistema lagunar da Barra da Tijuca, o que inclui a lagoa que margeia o Parque Olímpico da Rio-2016. O projeto previa dragar 15 quilômetros de extensão das lagoas de Marapendi, Tijuca, Jacarepaguá e Camorim, além dos canais de Marapendi e da Joatinga.

Porém, o cenário atualmente é outro. As obras de dragagem estão paradas e sem perspectivas. Os contratos foram todos suspensos após denuncias de formação de cartel na concorrência vencida pelo consórcio Complexo Lagunar, formado por Queiroz Galvão, OAS e Andrade Gutierrez.

O documento, que engloba as obras de legado para os Jogos, citava o desassoreamento das lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca e Marapendi, a construção de uma ilha-parque com os sedimentos dragados, a ampliação do mole do canal de Joatinga e a recuperação de manguezais do entorno das lagoas. O projeto iria permitir “uma maior renovação hídrica nestas lagoas, propiciando melhoria da qualidade das águas, além de possibilitar um avanço para a retomada da atividade pesqueira através da navegação de pequenas embarcações”.

Enquanto as autoridades brigam e decidem como e quando irão prosseguir com o projeto, cidadãos comuns lutam para manter e ajudar na sobrevivência do complexo lagunar. Na próxima edição, vamos conhecer historias de pessoas de bem que colaboram para a preservação das lagoas, e como podemos ajudá-las nesta missão tão gratificante.

*Ecologista & Moradora da Taquara

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