• Anna Karolinna Gomes

JUNHO: O MÊS DO ORGULHO LGBTQIA+

Atualizado: 21 de Out de 2021

Junho é mundialmente conhecido como o Mês do Orgulho LGBTQIA+, por conta da Revolta de Stonewall, quando frequentadores do bar Stonewall reagiram após as frequentes batidas policiais que os obrigavam a agir e a se vestir de acordo com a heteronorma dos anos 1960.


A professora Anna Karolinna Gomes, colunista do Jornal Abaixo-Assinado, conversou com o jovem Ramon, 28 anos, que é uma pessoa não binária (atende por todos os pronomes) e pansexual, sobre os problemas e os desafios para as pessoas LGBTQIA+ neste mês de luta em todo o país. Ele é morador do bairro do Jacaré, e trabalha com fotografia, design e ilustração.


JAAJ: Qual a importância do mês do Orgulho LGBTQIA+ para você? Como você acha que as manifestações, mesmo que virtuais, voltadas para este tema contribuem para a sociedade como um todo?

Ramon: O Mês do Orgulho LGBTQIA+ é um momento para lembrar e celebrar aqueles que vieram primeiro e lutaram para que tivéssemos os direitos que temos hoje, Só podemos celebrar e continuar lutando graças a eles/elas/elus. Manifestações são uma forma de nos escutarem, é um modo importante de dar voz a uma causa e mostrar que não calaremos perante um sistema atual extremante LGBTfóbico.


JAAJ: Como você enxerga o mercado de trabalho para pessoas LGBTQIA+?

Ramon: Enxergo de muitas formas diferentes porque, dependendo de onde a pessoa LGBTQIA+ se encaixa na sigla, ela terá mais ou menos dificuldades. Qual a dificuldade em ser um gay branco não afeminado conseguir emprego? E qual a dificuldade de uma travesti preta de conseguir o emprego? Essa questão ainda é cercada de muita desigualdade e preconceito, pois, apesar de grande avanço em relação a 10 ou 20 anos atrás, ele não ocorreu de forma igualitária.


JAAJ: Qual a importância de se perguntar ou de deixar expostos no perfil os pronomes? E a linguagem neutra? Como e quando deve ser utilizada?

Ramon: É importante, pois colocar os pronomes no perfil indica como a pessoa prefere ser tratada, e também que está disposta a tratar outras pessoas fazendo uso dos devidos pronomes. Vejo muito respeito mútuo nisso. A linguagem neutra é uma neolinguagem que pode ser usada para designar todas as pessoas, ela abraça todos os gêneros. Alguns indivíduos preferem ser tratados apenas na linguagem neutra, pois não se encaixam exclusivamente em um gênero específico. Mais uma vez estamos falando de respeito ao usarmos a linguagem neutra. E é importante destacar que ela ainda está em evolução, como a língua portuguesa sempre esteve.


JAAJ: Quais são os principais desafios de ser LGBTQIA+ em um país, como o Brasil, que apresenta uma escalada crescente do conservadorismo?

Ramon: Acredito que não se esconder, mostrar quem é ou se permitir descobrir a própria identidade em um lugar como o Brasil já é um desafio e um ato de resistência. É preciso lembrar que esse é o país que mais mata pessoas LGBTQIA+ (com ênfase em pessoas trans) no mundo e, ao mesmo tempo, é o que mais consome pornografia trans. Isso não é uma coincidência. Ressalto que não há muitos desafios, porém, como disse anteriormente, o surgimento de menos ou mais desafios dependerá de como as pessoas se encaixam na sigla LGBTQIA+.


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