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Jacarepaguá, o Celeiro do Rio

Agricultores das Vargens com o troféu de melhor banana da região


IHBAJA CONTA A HISÓRIA DA REGIÃO

INSTITUTO HISTÓRICO DA BAIXADA DE JACAREPAGUÁ

Leonardo Soares* 

Jacarepaguá, o Celeiro do Rio

O Sertão Carioca foi um termo cunhado pelo naturalista Magalhães Corrêa – autor de um livro de título similar – para denominar as terras que compreendiam as antigas freguesias rurais do Rio de Janeiro: Campo Grande, Guaratiba, Jacarepaguá, Irajá e Santa Cruz. Ele abarcava mais de 60% do território do município até meados do século XX. Mas era a Baixada de Jacarepaguá que mais despertava o seu interesse. E essa região (em especial a área de Vargem Grande, Vargem Pequena, Recreio, Taquara e Curicica) era até a década de 70 um grande celeiro agrícola.

Vários descendentes desses escravos seguiram produzindo nessa área nos anos 40 e 50. Também foi naquele período que os portugueses começaram a afluir para Vargem Grande, principalmente para a área do “Brejo”. Maria Galvão afirma que eles eram 90% da população dessa área. Havia entre eles uma certa diferenciação: de uma lado, os “portugueses” (Continente), do outro, os “ilhéus” (Ilha da Madeira). Fossem da Ilha ou do Continente, os portugueses, quando aqui estabelecidos reuniam-se “em sociedade de 3, 4 e até muitos membros provenientes da mesma província, e até da mesma freguesia” do território português. Entre os “portugueses” predominavam os do Conselho de Penacova, enquanto os “ilhéus” vinham em sua maioria do Conselho de Ponta do Sol.

Quanto à produção, praticamente toda a Baixada de Jacarepaguá privilegiava a “lavoura branca” (hortaliças e legumes) e a fruticultura: tipos de lavouras, se assim podemos dizer, mais típicas de um Cinturão Verde, como era o caso dessa região. Mas a proximidade com o centro urbano não parece ter sido o único motivo para a implantação dessa modalidade agrícola. Em Vargem Grande, as plantações se dividem por três áreas: nas “encostas”, plantava-se banana-prata. Em sua “baixada argilosa”, encontravam-se plantações de laranja, banana, aipim, mamão, milho, cana, tangerina, hortaliças e, até, café (para consumo interno). Em outra área, a “baixada turfosa”, produzia-se banana d’água, laranja, coqueiros, milho, arroz, aipim, batata-doce e hortaliças.

Em Jacarepaguá, seus lavradores, “horteiros em sua maioria trabalhando mais próximo do centro”, produziam quase que exclusivamente repolho, pimentão, abobrinha, agrião, alface, acelga, couve, tomate, berinjela, cenoura, chicória, beterraba, rábano, rabanete, salsa, cebolinha. Fora isso, cultivavam alguns poucos tipos de frutas como banana e laranja. Em Cafundá, localizada no “valle do Rio Taquara”, seus lavradores exploravam o “commercio da banana, batata, laranja, carvão e lenha”. Nas encostas de Vargem Grande, os lavradores exploravam lenha e carvão, que eram transportados em “Jacás sobre o dorso de burros e empilhadas onde vão ter os caminhões dos comerciantes”. Depois a lenha era revendida na Taquara e em Cascadura para o abastecimento de fornos de pequenas fábricas e padarias. Podemos complementar afirmando que os fornos das próprias residências dos moradores se alimentavam de lenha. Basta mencionar que em meados do século XX o fornecimento de gás na região ainda era algo bastante distante da realidade.

*Professor de História e pequsiador do IHBAJA

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