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HISTÓRIAS DE JACAREPAGUÁ


YAKARÉ UPÁ GUÁ – VAL COSTA

O massacre da Praça Sentinela

Uma aprazível praça localizada no bairro da Taquara foi o cenário de um lamentável fato ocorrido durante o regime militar e elucidado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP). No dia 27 de outubro de 1973, quatro militantes do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) foram assassinados nos arredores da Praça Sentinela. Segundo a comissão supracitada, tudo aconteceu por volta das 22h, quando dezenas de pessoas armadas saíram de oito carros e dispararam vários tiros contra os quatro que estavam nos arredores da praça. Três deles foram colocados dentro de um fusca vermelho no qual, logo depois, foi lançada uma bomba. O saldo final não poderia ter sido mais trágico: três pessoas carbonizadas e uma mulher morta com quatro tiros.


Almir Custódio de Lima, Ramires Maranhão do Valle, Ranúsia Alves Rodrigues e Vitorino Alves Moitinho foram as pessoas assassinadas nesse fatídico dia. Décadas depois, descobriu-se que os agentes do DOPS foram os responsáveis pelas mortes dos quatro e também pela explosão do carro. Os detalhes desse acontecimento constam em uma obra que reúne os dados e as informações sobre as circunstâncias das mortes e dos desaparecimentos de aproximadamente 400 pessoas durante esse período: “Dos filhos deste solo”, de Nilmário Miranda e Carlos Tibúrcio.  Esse episódio também foi retratado na série “Anos Rebeldes”, da Rede Globo.  A protagonista usava o nome fictício de Heloísa e foi interpretada por Cláudia Abreu.


Localizada entre as ruas Gazeta da Noite e Gazeta da Tarde, a praça recebeu esse nome em homenagem a um jornal do Período Imperial chamado “A Sentinela da Liberdade”. Seria cômico se não fosse trágico!

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