GARDÊNIA AZUL E A SOLUÇÃO DA POSSE DA TERRA COM BRIZOLA
- Leonardo Soares dos Santos

- 29 de jun.
- 2 min de leitura
Embora desapropriada em 1966, o loteamento que deu origem a Gardênia Azul não era regularizado pelo estado. Muitas obras ainda estavam por serem feitas, e todas tinham que ser custeadas pelos moradores. Havia também a dívida que cada morador ainda pagava pelos lotes adquiridos junto a José Padilha. Tudo isso tornava ainda incerta e precária a situação de muitos moradores na localidade. O risco de não conseguir fazer os pagamentos e ter que deixar Gardênia Azul era algo que estava sempre no horizonte. Boa parte desse problema seria resolvido com a legalização do projeto de urbanização de Gardênia Azul e o reconhecimento oficial como bairro em 1976.
Mas a legalização não beneficiou a todos os moradores. O que fazer com essa gente? Como resolver a situação dos moradores que não tinham comprado os lotes, mas que lá habitavam? Era a questão mais premente de Gardênia Azul no raiar dos anos 80.
A vitória de Leonel Brizola representaria um alento a esse grupo, pois o histórico líder trabalhista tinha como uma de suas principais bandeiras a solução da questão habitacional promovendo o acesso a moradia por parte dos segmentos populares. O programa habitacional “Cada Família, Um Lote” seria formulado exatamente com esse objetivo: toda família teria direito a um lote em boas condições, servido por escola, saneado, com atendimento de saúde próximo da residência. A Secretaria de Habitação, responsável pela execução do programa, era chefiada por Carlos Alberto de Oliveira, o Caó.
A secretaria ainda era apoiada pelos trabalhos de “regularização fundiária levadas pela Comissão de Assuntos Fundiários, depois Secretaria de Assuntos Fundiários”. Ao fim do governo Brizola, “cerca de 41 mil lotes e unidades habitacionais” foram legalizadas por meio da entrega de “títulos de propriedade em conjuntos habitacionais, favelas e loteamentos clandestinos em todo o estado”.

O programa seria implantado em Gardênia Azul em julho de 1984. No dia 27, o Jornal dos Sports (p. 10) noticiava “a entrega de Títulos de Propriedade a 96 famílias moradoras do loteamento de Gardênia Azul, em Jacarepaguá”, com a presença do governador Leonel Brizola, o prefeito Marcelo Alencar e o secretário Carlos Alberto Oliveira, em solenidade da Praça Ludovia.
Uma nova fase era inaugurada na história de Gardênia Azul com essa iniciativa de Brizola. A questão da terra não era mais um problema que tirava o sono de seus moradores, como a possibilidade de despejo ou desapropriação da localidade, por exemplo. Mas uma série de outras necessidades e demandas ainda se fariam sentir por anos adiante: as constantes enchentes, falta de escolas, postos de saúde, modernização do sistema de esgoto, violência. E diante disso tudo, os poderes públicos seguiam atuando com lentidão. A vida seguiria sendo desafiante para os moradores do bairro. E se tornou mais ainda com as novas ocupações de terra em áreas vizinhas ao núcleo original a partir de 1991. Mas esse é um tema para outro capítulo.





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