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FLUPP 2016 está acontecendo na CDD


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FLUPP 2016 é na Cidade de Deus

A 5ª Edição da FLUPP – Festa Literária das Periferias – acontece de 8 a 13 de novembro de 2016 na Cidade de Deus, na quadra da Escola de Samba Mocidade Unida da Cidade de Deus. Será de fato uma festa em homenagem aos 50 anos da CDD e um grande festival da literatura urbana, rebelde e revolucionária produzida pelos poetas, escritores, cineastas, contistas e estudiosos das comunidades, favelas e periferias das grandes cidades brasileiras e do mundo. A FLUPP terá uma programação intensa com batalha poética, lançamentos de livros, exibição de filmes e debates sobre diferentes temas da atualidade que atinge em cheio a vida na periferia.

FLUPP – A FESTA LITERÁRIA DAS PERIFERIAS










Texto de Ecio Salles e Julio Ludemir

“Não sabendo que era impossível, foi lá e fez” (Jean Cocteau)

A FLUPP nasceu sob o signo do impossível. Até mesmo os amigos e parceiros mais próximos catalogaram como quixotesco o nosso desejo de organizar uma festa literária internacional dentro de uma favela, ainda que em 2012, ano de nossa primeira edição, todas as políticas públicas fossem apresentadas com o selo de inclusivas.

– Jamais captarão – alertavam-nos.

Também cortejou o delírio a ideia de terminar o conturbado ano de 2013 em Vigário Geral, onde fuzil não é uma rima pobre para Brasil.

No ano seguinte, fizemos uma batalha de poesia com slammers de 16 países numa Mangueira que parecia não ter se recuperado de uma guerra com episódios dantescos, como a exposição de corpos decaptados na porta de uma escola pública de ensino fundamental.

Em 2015, voltamos a navegar o mar do estranhamento quando sugerimos aos autores hospedá-los na surpreendente rede de hotéis e pousadas da Babilônia.

Não seria diferente agora, em que chegamos à Cidade de Deus com o desejo de fazer as misturas mais heterodoxas no bolo com que estamos celebrando os 50 anos da mais emblemática das comunidades populares do Rio de Janeiro, a começar pelo nome.

O primeiro ingrediente dessa alquimia do improvável é a homenagem a Caio Fernando Abreu, escritor gaúcho que em tempos igualmente sombrios mapeou as periferias existenciais nos textos que produziu compulsivamente nas mais diversas plataformas literárias, até morrer de AIDS há exatos 20 anos.

Um exemplo da programação preenche as lacunas entre as periferias existenciais, territoriais e narrativas – a mesa Dando uma pinta no visual, que reúne Marcelo Caetano, Amara Moira e Mc Linn da Quebrada. Quem for à FLUPP no sábado 12 de novembro verá que somos todos Geni, que a cidade só deixará de apedrejar quando perceber quem poderá salvá-la dos ataques do Zepelim. Ouça mais uma vez a genial canção do Chico caso não tenha entendido o potencial messiânico desse devir.

A ideia dessa mesa é da cineasta Yasmin Thayná, jovem negra cuja carreira acompanhamos com entusiasmo desde quando estudava em uma escola pública de Nova Iguaçu. Ela agora faz companhia a Roberta Estrela Dalva, slam-master do Rio Poetry Slam desde 2014, na Mangueira. A FLUPP é um dos  primeiros festivais literários a reconhecer que o empoderamento das mulheres negras  é a maior conquista da década em curso. O Brasil não pode abrir mão dessa conquista.

Complementam essa programação atrações como Taiye Selasi, Conceição Evaristo, Akaweke Emezi, Pamela Lightsey e, claro, Patrick Chamoiseau. Todos eles são negros não apenas como nossas curadoras, mas como os jovens que reinventaram o cotidiano das universidades brasileiras desde a criação das cotas. Definitivamente, chegou a hora de os festivais literários proporem um diálogo que permita que esse novo leitor se sinta representado.

Também está na hora de reconhecermos o potencial de formação de leitores embutido na poderosa tradição oral da poesia brasileira, presente nas letras do samba, do rap, do cordel e, claro, no criminalizado funk. Sabíamos que seria uma empreitada no nível do insano, mas passamos dois meses discutindo essas narrativas periféricas como gêneros literários dentro de cinco escolas públicas da Cidade de Deus. Você poderá ver o resultado disso na II Gincana Literária, nas manhãs dos dias 9, 10 e 11.

Essa ousadia curatorial também se reflete na parceria que fizemos com o coletivo The Machine to be Another, que não apenas apresenta a Realidade Virtual como uma nova e inventiva narrativa da contemporaneidade. A experiência que estamos chamando de Memória da Pele vai usar a intrigante tecnologia criada pelo coletivo catalão para transpor nosso público até o corpo dos familiares de jovens negros assassinados pela estupidez de nossas polícias.  O Brasil precisa colocar-se no lugar dessas famílias e não apenas se envergonhar dessa indústria de uma morte. Está mais do que na hora de traduzirmos para o português a indignação do Black Lives Matter.

BOX COM AS BIOS ABAIXO:

Ecio Salles nasceu no bairro de Olaria, subúrbio carioca, na borda do Complexo do Alemão. É escritor, autor de Poesia Revoltada (um estudo sobre a cultura hip-hop no Brasil) e co-autor de História e Memória de Vigário Geral (editora Aeroplano), além de curador da coleção Tramas Urbanas, dessa mesma editora. Também é consultor do Programa Onda Cidadã (do Itaú Cultural) e Conselheiro da Universidade das Quebradas, projeto criado por Heloísa Buarque de Hollanda. É um dos criadores e organizadores da FLUPP – a Festa Literária das Periferias, encontro internacional de literatura criado no Rio de Janeiro em 2012 e realizado em favelas cariocas. É vascaíno, Vila Isabel e lateral direito (fora de forma) do Paranauê, a Seleção Brasileira de Futebol de Escritores.

Heloisa Buarque de Hollanda é professora Emérita de Teoria Crítica da Cultura/Escola de Comunicação e Coordenadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea/Faculdade de Letras, ambos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, desenvolve o projeto Universidade das Quebradas, baseado no conceito de ecologia dos saberes. Atualmente,  as questões relativas ao cruzamento da tecnologia, cultura e desenvolvimento são seu foco principal. É autora de muitos livros, entre eles: 26 poetas hoje e Feminismo como crítica da cultura.

Julio Ludemir nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criado em Olinda, Pernambuco. Entrou na faculdade de jornalismo, mas nunca concluiu o curso. Tem nove livros publicados, a maioria dos quais sobre a periferia do Rio de Janeiro. Rim por rim, reportagem sobre o tráfico internacional de órgãos, foi finalista do Jabuti de jornalismo de 2009 e recentemente teve seus direitos vendidos para o cinema. Foi um dos roteiristas de 400 x 1, filme de Caco de Souza baseado na biografia homônima de William da Silva Lima, um dos criadores do Comando Vermelho. Coordenou o Jovem Repórter, projeto de comunicação da Secretaria Municipal de Cultura de Nova Iguaçu que chegou a mobilizar 400 jovens da Baixada Fluminense. É um dos criadores da Batalha do Passinho, e um dos diretores do musical Na Batalha.

Luiz Eduardo Soares é escritor, dramaturgo, antropólogo e pós-doutor em filosofia política. É professor da UERJ e ex-professor da Unicamp e do IUPERJ. Foi visiting scholar nas universidades Harvard, Columbia, Virginia e Pittsburgh, e pesquisador do Vera Institute of Justica, de New York. Publicou 15 livros, entre eles “Meu Casaco de General: 500 dias no front da segurança pública do Rio de Janeiro”, finalista do prêmio Jabuti, em 2000, e “Rio de Janeiro; histórias de vida e morte”, em 2015, ambos editados pela Companhia das Letras. Foi secretário nacional de segurança pública, subsecretário de segurança no estado do Rio e secretário municipal em Porto Alegre e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

CELEBRE CAIO FERNANDO ABREU, MAS ANTES LEIA SEUS LIVROS  (Por Ramon Nunes Mello)

O celebrado escritor, jornalista e dramaturgo Caio Fernando Abreu (1948-1996), expoente da literatura brasileira que completou 20 anos de falecimento em 2016, permanece como influência e inspiração para diferentes gerações. Eu mesmo posso testemunhar o impacto da leitura dos textos de Caio F., que me motivou a ler outros autores e então rascunhar meus primeiros escritos. O interesse pela obra do autor continua ganhando expressão entre os mais jovens, no calçadão virtual, e faz com que ocorra a renovação de sua obra. Entretanto, em tempos de textos com poucos caracteres e muita carência de crítica, há de se ter atenção para a disseminação da obra de Caio F. nas redes sociais, onde se publicam trechos de livros numa tentativa de corresponder uma identificação “autoajuda”, divulgando muitas vezes textos que não pertencem de fato ao autor. Não somente a obra é afetada pela irresponsável falta de pesquisa e senso crítico – outros autores, como Clarice Lispector, por exemplo, são vítimas do desserviço dos textos apócrifos. Estes autores devem se revirar no túmulo cada vez que são creditados em textos pobres, de autoria duvidosa. Gosta de Caio F. e deseja celebrá-lo? Leia seus livros. Não há homenagem mais bonita a um autor do que de fato ler seus livros. A obra é extensa: Triângulo das Águas, Pequenas Epifanias, Onde andará Dulce Veiga?, Morangos Mofados… Sem contar os desdobramentos em filmes, montagem teatrais, espetáculos de dança, pois a obra de Caio F. se espalha em diferentes linguagens. A escrita e a literatura são fundamentais para a construção de sociedades  democráticas, baseadas na diversidade e no exercício da cidadania e, certamente, a leitura da obra do autor – para além das picuinhas literárias e das disputas das “viúvas” – nos instiga essa reflexão e amplia nossa visão em tempos nublados como os dias atuais.

RIO POETRY SLAM

Está virando tradição. Todo ano, quando o mês novembro se aproxima, começamos a contar os dias para o início da FLUPP, que já entrou para o calendário de eventos literários imperdíveis do Rio de Janeiro. Para mim, é uma honra participar dessa festa como curadora do RIO POETRY SLAM, primeiro campeonato internacional de poesia falada da América Latina, que há três anos faz parte da programação oficial da FLUPP e que traz poetas do mundo inteiro para participar de batalhas de poesia oral, os chamados “poetry slams” ou simplesmente “slams”. Oito anos se passaram desde a realização do ZAP! – Zona Autônoma da Palavra, primeiro slam realizado no Brasil pelo Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, coletivo do qual faço parte, anfitrião do RIO POETRY SLAM. De lá pra cá a cena dos slams de poesia cresceu vertiginosamente no país e conta hoje com mais de trinta comunidades espalhadas pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais , Bahia, Mato Grosso e Brasília. E novos slams não param de surgir pelo país!

Celebrando este crescimento, a partir de 2015, além do slam internacional, foi criado o FLUPP SLAM BNDES, campeonato nacional que conta com a participação de dezesseis poetas da cena brasileira, e o FLUPP SLAM COLEGIAL, realizado a partir de ações da FLUPP nas escolas das periferias do Rio de Janeiro. A presença da diversidade, o encontro e as parcerias frutíferas que germinam a partir de convivências e trocas dentro da FLUPP, norteiam o conceito curatorial do RIO POETRY SLAM. Assim, acreditamos apresentar ao público um grupo de poetas que trazem os mais variados estilos, abordagens, temas e estéticas desse movimento mundial da poesia oral.

Estamos prontos para mais um ano de emoções poéticas e performances inesquecíveis! Em tempos sombrios e incertos como estes em que vivemos, a poesia mais do que nunca se torna um ato de resistência e uma possibilidade para imaginarmos um outro mundo possível.

Vai começar o III Rio Poetry Slam! Que venham os atletas da palavra! Nos vemos na Cidade Deus. Roberta Estrela D’Alva É Slammaster e curadora do Rio Poetry Slam.

PROGRAMAÇÃO FLUPP

Terça-feira, 8 de novembro

12h Revoada dos balões

Repetição da poética cena dos dois últimos anos, em que a FLUPP foi aberta com uma revoada de balões com poemas/textos. Este ano, os balões vão subir com trechos dos textos de Caio Fernando Abreu, autor homenageado de 2016. A revoada de balões da FLUPP foi inspirada em uma ação semelhante organizada anualmente pelo poeta Sergio Vaz, do sarau Cooperifa.

Tenda Morangos Mofados:

Terça-feira, 8 de novembro

19h Abertura Solene

Parceiros, patrocinadores, autoridades, representantes dos moradores e organizadores dão as boas-vindas tanto ao evento quanto ao público.

19h30 – Caio F. e as Periferias Existenciais

Heloísa Buarque de Hollanda e Candé Salles

Mediador: Julio Ludemir

A FLUPP de 2016 homenageará Caio Fernando Abreu, escritor gaúcho cuja produção abrangeu três décadas decisivas para duas questões caríssimas para nós. Foi nesse período que se consolidou uma literatura de temática urbana – e não há megalópoles sem periferia. Caio Fernando Abreu também é a possibilidade de abranger de modo mais desabrido as periferias existenciais, tão importantes quanto as territoriais.

21h – Batalha de Poesia

Performance poética e musical do Nós do Morro, criada no âmbito das comemorações pelos 30 anos do grupo. Com organização de textos e direção de Guti Fraga, o espetáculo, além de corroborar a parceria da FLUPP com o Nós do Morro, aponta para a FLUPP de 2017, que será no Vidigal.

Quarta-feira, 9 de novembro

14h – Desde que o samba é samba – 100 anos de samba

Haroldo Costa e Luis Antônio Simas

Mediador: Leonardo Lichote

De Donga à geração da Lapa. De um gênero musical criminalizado a uma marca identitária nacional. Partido alto, pagode, roda de samba. Escolas na Sapucaí e blocos arrastando multidões pelas ruas. Pelo telefone, por telegrama, nas redes sociais. Porque só no samba nos sentimos contentes. Porque sempre há negros destemidos para socorrê-lo ou foliões clamando para que não o deixem morrer. Samba100.

16h – Rio Poetry Slam

Eliminatórias do Grupo A:

1. Fatima Moumoni (Alemanha)

2. Adrian Van Wyk (Africa do Sul)

3. So Sonia (Argentina)

4. Chris Tsé (Canadá)

18h – A negação do cinema

Joel Zito Araújo e Jeferson De

Mediador: Cadu Barcellos

Historicamente, o cinema é um reduto dos caras pálidas. De Hollywood ao engajado Cinema Novo, o negro sempre foi uma espécie de figurante dessa indústria, com papéis que variam do serviçal ao criminoso. Está mais do que na hora de mudar esses enquadramentos.

20h – Rio Poetry Slam

Eliminatórias do Grupo B:

1. Mel Duarte (Brasil)

2. Adrian Mertz (Suíça)

3. Sergio Garau (Itália)

4. Adaeze (Barbados)

Quinta-feira, 10 de novembro

14h – Primavera digital

René Silva, Enderson Silva Araújo e Carla Siccos

Mediador: Edu Carvalho

O espírito da Primavera Árabe se propagou pelo mundo por intermédio das redes sociais. No Brasil, os jovens negros da periferia não conseguiram derrubar tiranos, mas se tornaram uma referência  para o país ao usar seus celulares para narrar as manifestações ignoradas pela mídia oficial.

16h – Rio Poetry Slam

Eliminatórias do Grupo C

1. Jessica Care Moore (EUA)

2. Nuno Piteira (Portugal)

3. Edmeé García (México)

4. Inua Ellams (Nigéria)

18h  – Ausências (Mesa SESC)

Débora Ferraz e Alexandre Marques Rodrigues

Mediadora: Mànya Millen

A literatura pode preencher vazios, diluindo angústias, silenciando dores. Em sua estreia, a pernambucana Débora Ferraz se socorreu da palavra para suprir a irreparável perda do pai. Depois de um livro em que a obsessão pelo sexo travestiu o medo da solidão, o paulista Alexandre Marques Rodrigues fez um romance cuja bússola foi a procura do corpo da mãe.

20h – Rio Poetry Slam

Eliminatórias do Grupo D

1. Jackie Hagan (Inglaterra)

2. Eliér Álvarez (Cuba)

3. Antônio Paciência (Angola)

4. Pilot Le Hot (França)

Sexta-feira, 11 de novembro

14h – Deslocamentos Literários

Bianca Sant Ana, Lia Minapoty e Akaweke Emezi

Mediadora: Diane Lima

Três mulheres pertencentes a dois grupos sociais e culturais diferentes que trazem em sua história genocídios terríveis em comum, resistem com sua literatura e o modo de ver o mundo. Aqui, velejaremos pela literatura indígena e negra e diáspora africana, tendo como ponto central o que, a partir da literatura, há em comum entre essas culturas.

16h – Rio Poetry Slam

Semifinal 1 – Primeiro colocado dos grupos  A e C + segundo colocado das chaves B e D
.

18h Que histórias contamos sobre nós?

Ellen Oléria e Guy Deslauriers

Mediador: Ivana Bentes

Existem muitas histórias a serem contadas sobre o negro. A de uma África mítica. A dos povos no cativeiro. A dos mártires da Diáspora e a dos violentos guetos das megalópoles pós-coloniais. O que há em comum entre um jovem colombiano e um ancião de Nairóbi, além do fato de ambos terem a mesma cor de pele? Qual deles te representa?

20h – Rio Poetry Slam

Semifinal 2 – Primeiro colocado das chaves B e D + segundo colocado das chaves A e C

Sábado , 12 de novembro

16h – Modos de ver o amor

Jéssica Ipólito e Pamela Lightsey

Mediadora: Yasmin Thayná

As representações de amor, sejam no cinema ou na literatura, normalmente são enquadradas num perfil eurocêntrico e heterossexual. Nessa jangada, faremos uma imersão sobre o amor juntando militância lésbica negra com teoria queer e teologia.

18h – O evangelho segundo Jesus – A rainha dos céus

Jo Clifford

Jesus Cristo volta na condição de uma mulher trans. Espetáculo, estrelado pela atriz escocesa Jo Clifford, propõe uma das mais radicais discussões sobre identidade sexual da atualidade. Chocou a Europa, atraindo a ira de católicos e protestantes.

20h – Prêmio Carolina de Jesus

Final SLAM BNDES, com os 4 poetas classificados nas semifinais

Domingo – 13, de novembro

14h – Militância se escreve com M, de Mulher

Kátia Lund e Jessica Care Moore

Mediadora: Ana Paula Lisboa

O mundo vive uma grande contradição em relação à mulher. Quanto mais livres elas são, mais necessária se faz a luta por seus direitos. Os engajados filmes e poemas da cineasta Katia Lund e da poeta Jessica Care Moore são verdadeiros manifestos contra o que hoje se chama de cultura de estupro.

16h – Quilombos de Papel

Conceição Evaristo e Patrick Chamoiseau

Mediadora: Flávia Oliveira

A literatura negra é quase sempre sinônimo de resistência. A quase totalidade dos livros produzidos na Diáspora propõe uma arte engajada, que não raro visita diversos períodos da história para mostrar os vínculos entre a escravidão e a complexa situação do negro nas sociedades pós-coloniais.

18h – Cidadã dos mundos

Taiye Selasi

   Mediador: Renato Noguera

Palestra seguida de debate com a escritora multilocal Taiye Selasi, que redesenhou a discussão sobre o racismo ao criar a expressão afropolitismo. Nascida em Londres, criada em Boston e morando ora em Roma ora em Berlim, ela se vê como uma artista absolutamente alinhada com o mundo cada vez mais globalizado em que vivemos. Em suas palestras pelo mundo, tem afirmado que é uma forma sutil de racismo reduzir sua identidade ao fato de ser filha de migrantes africanos.

20h Rio Poetry Slam

Final do Rio Poetry Slam,  com os 4 poetas classificados nas semifinais.

Tenda Pequenas Epifanias:

Quarta-feira, 9 de novembro

14h – SLAM Colegial

16h – No nada

Eliane de Souza e Jean-Yves Loude

A favela carioca foi povoada por dois povos: o escravo liberto e o sertanejo que sobreviveu à Guerra de Canudos. Embora francês e branco, o antropólogo Jean-Yves Loud é um dos maiores estudiosos da questão negra brasileira. E Eliane de Souza, ela própria filha de nordestinos, é uma das principais referências teóricas das favelas cariocas.

20h Cinema Petrobras

Documentário Para Sempre Seu: Inspirado no livro de Paula Dip, filme faz parte das homenagens a Caio Fernando Abreu, escritor gaúcho que morreu de Aids em 1996. Com mistura de linguagens inerentes à obra de Caio F. – cinema, teatro, música e literatura –, a narrativa é conduzida por depoimentos de amigos, editores e estudiosos que mantiveram relação com o autor.

Quinta-feira, 10 de novembro

14h FLUPP Slam Colegial

      Final do slam disputados nas escolas públicas de ensino médio do Rio de Janeiro. Processo eliminatório percorreu            cinco áreas populares da Região Metropolitana. Campeão representará o FLUPP Slam Colegial no Slam Nacional.

16h Pitching

Parceria entre a FLUPP, a Filmes 2 b e a Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro, que avaliará a produção literária de jovens do Degase. As melhores histórias serão transformadas em sinopse e apresentadas à indústria audiovisual brasileira.

20h Cinema Petrobras

Pelas margens – Jéssica Balbino

Panorama da literatura marginal brasileira dos últimos 15 anos, com as vozes femininas dos saraus, slams e editoração. Debate o machismo no mercado editorial. Após a sessão, debate com a diretora.














Sexta-feira, 11 de novembro

16h FLUPP QUIZ

Final presencial com os estudantes das escolas públicas de ensino médio que mais pontuaram no game. Eles defenderão três livros diante de uma banca de especialistas em literatura.

20h Cinema Petrobrás  – Festival de Curtas

Seleção de filmes exibidos no Festival Curta Cinema 2016 feita por jovens produtores culturais da Maré.

Sábado, 12 de novembro

14h – FLUPP PARQUE SESC – Infantil

Blitz Literária (AEILIJ) – Contação de história e oficina de desenho

16h – Long Table Estética das Ocupações

Chico Ludermir, Diana Bogado e Alex Frechette

Os movimentos sociais têm recorrido a intervenções artísticas para ampliar o diálogo com os manifestantes. Um exemplo disso é o Museu das Remoções, que criou instalações a partir do que sobrou das casas removidas na Vila Autódromo.

* Lançamento dos livros “A história Incompleta de Brenda”, de Chico Ludermir, e  “Diários de Afeto”, de Alex Frechette.

18h – De volta ao começo – Roda de Conversa com  Taiye Selasi e autores da periferia carioca.

20h Cinema Petrobras  

Passagem do meio – Guy Deslauriers

Um navio negreiro europeu tem a bordo centenas de escravos oriundos do Senegal. Durante as dezoito semanas de travessia, os futuros escravos passam por diversas situações.

Domingo, 13 de novembro

14h FLUPP PARQUE SESC- Infantil

Blitz Literária (AEILIJ) – Contação de história e oficina de desenho

16h FLUPP PARQUE SESC – Jovem

Long Table Pancadão de fim de festa

Adriana Facina, Laíze Gabriela Benevides, MC Karolzinha e Coronel Ibis Pereira

O equivocado processo de pacificação das favelas cariocas chega ao fim de forma patética, deixando um rastro de frustrações principalmente entre os jovens. Ninguém quer a violência de volta, mas que o combate ao chamado poder paralelo não destrua o ecossistema das favelas.

Lançamento do livro da Laíze Gabriela Benevides.

18h Memória da pele

Long table com participantes da parceria entre FLUPP, The Machine To Be Another, Sesc e Anistia Internacional. Troca de experiências entre os familiares que gravaram suas histórias, monitores que acompanharam o processo e público exposto aos relatos sobre os jovens negros mortos.

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