• Renato Consentino

FESTA JUNINA MARCA MAIS UM ANO DE RESISTÊNCIA, ALEGRIA E LUTA NA VILA AUTÓDROMO

Atualizado: 11 de Set de 2021

Foi com festa que a Vila Autódromo celebrou mais uma vez a sua existência. A comunidade, localizada em área de grande interesse do mercado imobiliário da Barra da Tijuca, vem resistindo há pelo menos três décadas a insistentes processos de remoção por parte da prefeitura e empresários.

“A festa junina traz alegria, é um momento social para nós. A ideia é que a Vila Autódromo não seja apagada, não caia no esquecimento”, disse Luiz Claudio Silva, que tem 56 anos e há 31 mora na vila.

Com o falso pretexto da construção do Parque Olímpico, a comunidade foi reduzida a 20 famílias em 2016. Agora a resistência não se dá apenas em permanecer no local, mas também pelo reconhecimento por parte do poder público de sua existência na esquina das avenidas Salvador Allende e Abelardo Bueno.

Placas feitas pelos moradores da Vila Autódromo indicam entrada da comunidade.

Todo o entorno carece de placas de sinalização indicando a entrada Vila Autódromo. Os moradores já protocolaram um pedido na Prefeitura para que a indicação fosse feita oficialmente, mas foram ignorados. Então as placas tiveram que ser colocadas pelas próprias famílias para facilitar a chegada de amigos, familiares e entregas.

“Temos tantos condomínios e centros comerciais sinalizados, por que a Vila Autódromo é a única que não tem placa? É simples de entender, eles querem nos esconder. Essa placa também soa como um grito de socorro, um grito de resistência, de que estamos aqui sim”, enfatizou Luiz Claudio.

Com as indicações foi fácil chegar na Vila para comer a deliciosa canjica da Sanda Maria, o cachorro quente e o caldo da Dona Penha, além dos outros quitutes e comidas típicas. A festa marcou ainda a comemoração dos três anos do Museu das Remoções, que atua na preservação da memória da comunidade.


“É importante celebrar a permanência da Vila Autódromo, da vida dos moradores daqui”, disse Luiza Nasciutti, do Museu das Remoções. “O objetivo principal do museu é preservar a história da Vila Autódromo e mostrar para outras comunidades ameaçadas de remoção o que esta experiência de luta pode ensinar para outras comunidades”, completou.
Camiseta marca da resistência da Vila Autódromo contra as remoções no Rio de Janeiro.

O trabalho do Museu das Remoções se dá por meio de intervenções no próprio espaço da Vila Autódromo, além de festas, atividades culturais, oficinas, exibição de filmes e residências artísticas. O Museu também promove ações no sentido da integração com outras comunidades da região.


E foi o que aconteceu com a já tradicional presença da Quadrilha Pinga Fogo, organizada pela juventude do Morro São José Operário, da Praça Seca. A música foi comandada pela Charanga Venenosa, grupo de fanfarra do centro da cidade.


As obras da segunda fase das obras da Vila Autódromo, formalizada em contrato assinado pela Prefeitura do Rio e que deveria ter iniciado em 2016, ainda não saiu do papel. Ainda precisa ser construído o parquinho, a associação de moradores, um centro cultural e a quadra poliesportiva. Os títulos de posse e o habite-se, prometidos há três anos, também não foram entregues.


“A Vila Autódromo possuía uma estrutura feita pelos seus moradores e que foi destruída pela Prefeitura, nada mais justo que se reconstrua”, exigiu Luiz Claudio. “Nós vamos estar sempre lutando contra esse sistema que insiste em nos esconder, vamos mostrar que a gente está vivo aqui”, finalizou.
3 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
jaajbr.png