FALTAM CICLOVIAS EM JACAREPAGUÁ
- Sidney Teixeira Jr

- 20 de abr.
- 2 min de leitura
Atualizado: 27 de abr.
O sinistro de trânsito ocorrido na rua Conde de Bonfim (Tijuca) movimentou o debate da segurança viária na cidade do Rio de Janeiro. Mãe e filho em uma bicicleta foram atropelados, deixando toda a cidade indignada. Infelizmente, não é só nessa rua em que falta infraestrutura adequada para os ciclistas, sendo um problema de toda a cidade. Apesar de o Plano de Expansão Cicloviária (Decreto Municipal 52.132) ter sido oficialmente publicado no início de 2023, com muita pompa e promessas de mudanças para a mobilidade ativa nesta cidade, inclusive com o compromisso assumido de colocação de cobertura em cem por cento das estações de transporte de média a alta capacidade, com a malha cicloviária até o fim de 2024, até hoje observamos que muitas estações de BRT, trem e metrô não possuem essa conexão. Friso que, se retirar as estações de VLT da análise, somente fora do Centro e da Zona Sul não houve o cumprimento dessa promessa, segundo dados oficiais da Prefeitura obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.
A Baixada de Jacarepaguá está muito presente nesse processo de negligência, mas não apenas com as estações de BRT esquecidas. Mesmo com o alarmante dado que o livro da Prefeitura do Rio de Janeiro, Ciclo Rio traz: a estrada dos Bandeirantes e a estrada de Jacarepaguá estão em terceiro e quarto lugar no ranking de atropelamentos de ciclistas da cidade! Mesmo assim, essas duas vias não aparecem nas prioridades para a implantação das ciclovias.
Anualmente, milhões de reais têm sido gastos para a reforma e a manutenção de uma única ciclovia, a Tim Maia, na Zona Sul da cidade. Independentemente da pertinência desse custo, afinal é um ponto turístico, questiona-se acerca da distribuição equitativa do dinheiro para a mobilidade ativa na cidade. Por que o orçamento voltado para ciclovias na Tijuca, previsto na Lei Orçamentária de 2025 (Lei Municipal no 8.797, de 2025) e que talvez poderia ter contribuído com a redução de sinistros de trânsito, não foi executado? E por que as vias de Jacarepaguá não têm recebido adequado investimento para os ciclistas?
Para tentar chamar a atenção, anualmente, o movimento Pedala JPA, organizado pela AMAF (Associação de Moradores e Amigos da Freguesia e outros coletivos) promove manifestação no Dia Mundial Sem Carro (em setembro), pedindo a ampliação de ciclovias em Jacarepaguá, com reivindicações de vários ciclistas e até patinadores, mas sem grandes avanços na proteção da mobilidade ativa nessa região. Na ocasião da Audiência Pública do Plano Estratégico 2025-2028, a Prefeitura foi questionada sobre a fraca descrição para investimentos em estrutura cicloviária para esse quadriênio, o que contrariaria a expectativa gerada pelo Plano Cicloviário de 2023. Em resposta, representantes da CET-RIO informaram que essa expansão seguiria o Programa Asfalto Liso. Recentemente, após o sinistro da Tijuca, o novo prefeito Eduardo Cavaliere anunciou que fará novas ciclovias na cidade, mas nenhuma ainda foi prometida em Jacarepaguá. Esperamos não precisar de uma tragédia para sair do papel.
Que fique o grito e o pedido para que o nosso prefeito não esqueça desta região!





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