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EDUCADORES RESPONDEM COM “GREVE PELA VIDA” A POSSIBILIDADE DE RETORNO ÀS AULAS PRESENCIA

Atualizado: 6 de set. de 2021

Não é novidade para ninguém que vivemos uma pandemia e que houve mudanças radicais na forma como levamos nossas vidas. No Brasil, apesar de termos adotado logo com os primeiros contágios a prática de isolamento social, faltou coordenação nacional, em especial na figura do Presidente Jair Bolsonaro, para tomar medidas necessárias para garantir que as pessoas pudessem fazer o isolamento com segurança e dignidade. Desde quando o número de infectados e mortos cresceu a partir de março, vivemos a paralisação das atividades escolares presenciais. O ensino passou a se dar de forma não presencial, em sua maioria, através de plataformas digitais.

O ensino remoto escancarou as desigualdades existentes no Brasil. Enquanto os alunos da rede privada, com mais acesso a internet, mesmo com todas as limitações, se mantiveram integradas às atividades educativas, os da rede pública tiveram dificuldades de acesso. Quando vamos pensar a rede pública, em sua maioria com alunos mais pobres e com menos acesso a recursos tecnológicos, os professores relatam uma baixíssima adesão nas atividades à distância. Segundo um levantamento do DIEESE 20% das casas no Estado do RJ não tem disponibilidade de instalação de internet e que em 34% não tinham acesso por restrições financeiras.

Então qual deveria ser a postura dos governos? Apontar para uma reabertura das escolas como apontou Crivella ou Pedro Fernandes (Sec. de Educação do Estado)? Existe uma previsão de retorno das escolas particulares para 14 de setembro e das escolas públicas para início de outubro. Isso tudo sem o menor controle da pandemia, e com mais 800 óbitos nos pais por dia. As escolas são um espaço de aglomeração de trabalhadores da educação, de crianças e jovens e que podem fazer disparar o número de contaminados e mortos. Uma criança que se contamina na escola, além de infectar professores e colegas, também leva o vírus para sua família. Voltando a falar de escolas públicas, muitas delas não têm nem fornecimento regular de água, falta papel higiênico e sabão nos banheiros, vai ter máscara e álcool para todos? 

Não é hora de retornarem as aulas. É preciso sim garantir políticas públicas de acesso à internet e demais tecnologias para jovens estudantes. É preciso garantir que a pessoas tenham renda para não precisarem se expor sem necessidade ao vírus e que seja prorrogada pelo menos até dezembro o auxílio emergencial de 600 reais. Escola é lugar de vida, não de morte. Por essa razão os educadores, tanto da rede pública, como da rede privada, decidiram iniciar a campanha de greve pela vida, contra a reabertura das escolas enquanto não houver vacina ou controle da pandemia de covid-19.


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