• Jornal Abaixo Assinado

E agora, Jair?

Estátua em Copacabana do grande poeta Carlos Drummond


E agora, Zé? O papel das lideranças

*texto de João Magalhães

A eleição acabou, a luz se apagou, o povo sumiu, a noite esfriou e agora, Zé? E agora, Zé?  Você que sofre pelos retrocessos, que discute no facebook, você que ama a diversidade, protesta? Se você não protestar, Zé, as árvores que te dão sombra podem morrer, a educação superior de seus filhos pode ser perdida e você, Zé, não terá onde se encostar, pois talvez não sobreviva para ter aposentadoria.

Poucos na grande baixada de Jacarepaguá entenderam o potencial risco que as instituições estão correndo. Mesmo o jornalismo sério do mundo inteiro tendo alertado, mesmo com advertências de intelectuais e especialistas, Bolsonaro ganhou a corrida presidencial de 2018. Mas se Bolsonaro obteve uma vitória de 66,35% dos votos válidos na cidade do Rio de Janeiro, por que as instituições estariam em risco por aqui?

Simples, pois os partidos e a democracia representativa perderam o seu filtro. Em “Como as democracias morrem”, Levitsky, Cientista Política da Universidade de Harvard, diz que é papel das lideranças políticas tomarem “medidas para garantir que os autoritários fiquem à margem, longe dos centros de poder”. Porém, as elites políticas brasileiras cederam aos discursos sensacionalistas e as declarações de ódio.

Bolsonaro, tendo alcançado um status de líder populista, se destaca tal como um Bonaparte. Encarnado na figura de um líder, cultuado como resposta aos problemas de segurança e ao ódio criado pelo antipetismo. Uma representação da polaridade política.

Devido a esse quadro, a responsabilidade dos movimentos sociais deve ser dobrada. A democracia pode prevalecer em nosso país, mesmo com medidas conservadoras sendo discutidas. Porém as lideranças sociais precisam se fortalecer, precisam estar presentes para se opor a possíveis incoerências constitucionais e decisões empíricas, sem análises de especialistas.

Para assumir esse papel participativo, Jacarepaguá precisa deixar a briga de egos de lado. Por aqui, muitos coletivos são fundados em cada esquina para tentarem resolver problemas pontuais, entretanto, uns não ajudam os outros. Às vezes as mesmas pautas são levantadas em pontos distintos do bairro mas a falta de sentimento de união, ou a sensação das lideranças acharem que não estão no controle de algo, acaba por afastar as conquistas de nossas mãos.

Não devemos cultuar ídolos, devemos buscar uma política mais humanizada, que traga voz a sociedade civil organizada, que seja ativa, ativista, que esteja aliada aos interesses coletivos e que defendam os benditos direitos humanos. Unidos, sem filtros, sem interesses próprios, sem ego para se encostar. Sozinho você não pode caminhar, Zé. Mas juntos, podemos marchar. Trate de sair do lugar, Zé.

*Jovem de 19 anos, Estudante de Sociologia na PUC e Morador da Freguesia 

2 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
jaajbr.png