• Jornal Abaixo Assinado

Crianças rueiras e o aprendizado da coletividade em uma favela do Rio

Gizele Martins é pra lutar


O Jornal Abaixo-Assinado (JAAJ) recebeu um singelo texto de Gizele Martins, jornalista formada pela PUC-Rio, com Mestrado em Comunicação, Educação e Cultura pela FEBF-Uerj, e moradora da Maré —- o Conjunto de Favelas da Maré localiza-se na Zona Norte do Rio de Janeiro e é formada por 16 favelas, e tem com aproximadamente 132 mil moradores. “Hoje, atuo em diversas atividades dentro das favelas do Rio: Rolé dos Favelados; cursos de comunicação comunitária; e sobre história das favelas, além de coordenar o Maré 0800, uma atividade de rua que realizamos há dois anos na Maré e que inclui doações de roupas, brinquedos e livros”, salienta Gizele Martins. O objetivo do coletivo, em que Gizele atua, é trabalhar a comunicação comunitária na rua, entregando as doações em troca de um papo sobre direitos humanos, gênero, política, racismo, favela e assuntos afins. Então é isso, quem faz a luta e a história escreve no JAAJ. Seja bem-vinda, Gizele Martins!


Crianças rueiras e o aprendizado da coletividade nem uma favela do Rio *Gizele Martins

A rua é o lugar que mais marca a minha infância. A rua é o grande espaço de convivência na favela. É nela que conhecemos os vizinhos, que conversamos por horas e horas com quem passa, é nela que brincamos, que dividimos os brinquedos, que brigamos, que caímos e nos machucamos, é nela que construímos a amizade, é ali que aprendemos a descobrir também o que é a infância, e não é qualquer infância, é a infância favelada, periférica, negra, nordestina, uma infância popular e coletiva. Voltar a memória sobre esse tempo e lugar, é lembrar das ruas cheias de terra, cimento, do poste de madeira, da chegada do paralelepípedo, do trabalho coletivo dos adultos na hora do mutirão para construção de uma, duas, três casas, da vizinha que acordava cedo e varria toda a rua e juntava todo o lixo, é lembrar da minha bisavó que aguava suas plantas logo cedo, do bêbado da rua no bar da esquina, da vizinha gritando pra gente não correr muito para não machucar, das fofocas diárias, da festa de casamento que fechava toda a rua, da correria que era eu avistar minha avó voltando do trabalho à tarde, na altura da Avenida Brasil, e correr ao encontro dela, é lembrar do sol raiando e da noite chegando, e os gritos das tias para pararmos de brincar, tomar banho, jantar e ir dormir.

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