• Anna Karolinna Gomes

CRESCER COMO UMA MULHER NEGRA

Atualizado: 13 de out. de 2021

Nosso corpo nunca nos pertenceu. 


Digo isso porque, desde o nosso nascimento, somos marcadas a ferro, como gado, com furos nas orelhas. Quando criança, não podemos brincar como e com quem queremos — “você já é uma mocinha, fecha essas pernas”, dizem para meninas que não entendem o porquê de tantas regras. 


Na pré-adolescência, o nosso corpo começa a mostrar traços mais adultos e, com isso, o assédio começa a destruir a nossa inocência. A “novinha”, que escutamos nas músicas, faz referência, na verdade, a meninas que muitas vezes ainda querem ser apenas meninas.


“Ela é uma mulata bonita” e “É uma preta com traços finos” são frases que começamos a ouvir e, ao problematizarmos, vemos que não é nenhum elogio, mas somente o puro suco do racismo.


No mercado de trabalho, temos os menores salários, somos aquelas que mesmo em cargos de liderança recebem olhares e são confundidas com as “tias” da limpeza — claro, no senso comum, uma preta só pode ser isso. 


Nos relacionamentos, somos facilmente trocadas por brancas e chamadas de escandalosas, hipersexualizadas e deixadas para cuidar de nossas crias de maneira solo — “mulher guerreira”.


Nunca nos cansaremos de lutar pelo nosso lugar, pelo reconhecimento da nossa importância na sociedade, pelo respeito a nossa história e ancestralidade. 


Obrigada a todas as mulheres que lutam, a todas que já lutaram e todas aquelas que irão lutar. Esse esforço não tem fim.

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