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CRÔNICA NA QUARENTENA

O distanciamento social ampliado, popularmente chamado quarentena, é uma das medidas preventivas na pandemia da Covid-19. Com 61 anos, eu a manterei até quanto me for possível, mas indo às ruas com máscara e álcool gel para realizar os serviços básicos, sem terceirizar os riscos de contágios aos trabalhadores de serviço delivery, já que muitos funcionam em situação precrizada. 

Paradoxalmente, a pandemia expõe de forma radical e eficaz as injustiças estruturais de nossa sociedade, assim como mantém o cenário das desigualdades. Atos de aglomerações possuem muitas variantes, da necessidade de ganhar o pão de cada dia ao negacionismo da ciência aumentam a curva de contágio e morte. O Plano Nacional de Vacinação e o Plano Nacional de Enfrentamento à Covid-19 devem reconhecer o SUS, devidamente investido de recursos, como a rede fundamental de atendimento à saúde pública, mas são notórias as autoridades que atuam contra os interesses públicos e contribuem para o avanço do capitalismo neoliberal neste setor. E o desafio da classe popular, nos dias atuais, é sobreviver e combater a necropolítica, que mira e elimina um grupo social e deixa de enxergar outro grupo, assim também o eliminando. 

As redes sociais se consolidaram em lugar comum, também para reunir pessoas, quando a palavra de ordem é: “distanciamento social”. A pandemia potencializou essa ferramenta de comunicação, aproximando indivíduos e esses com o mundo do trabalho. Porém, a tela é apenas uma das faces dessas plataformas, constituídas como modus estruturado e estruturante de/para sociabilidades; categorias de identidades; estímulo de opiniões e expectativas; acúmulo de conteúdos pela comunicação etc. Se do teclado do computador ao desenvolvimento da Inteligência Artificial, os interesses são políticos, estratégicos e controlados pela “economia digital”, quem define o lugar de ciência do usuário nessas redes? Se na perspectiva das redes o ‘lugar’ está definido, esse lugar deve ser mais um assento ou “território” de disputa dos controles da Matrix? 

Em tempo, que venha a vacina para todas, todes e todos!

Escrito por Pablo das Oliveiras

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