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CONFRATERNIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS DA BAIXADA DE JACAREPAGUÁ

Atualizado: 18 de jul. de 2021



Baixada de Jacarepaguá: presente e passado


Foi realizado na última segunda-feira, 12/10/2015, atividade para comemorar o dia das crianças na comunidade Vila Autódromo, ao lado da Lagoa de Jacarepaguá. A proposta da confraternização, um churrasco comunitário, foi fortalecer a luta pela permanência da comunidade e reafirmar seus direitos.


O churrasco foi organizado e realizado pelos próprios moradores e apoiadores da luta da comunidade e contou com a presença de MCs da cultura hip hop carioca e de São Gonçalo, BNegão e Aika de Jardim Catarina, que prestaram seu apoio e solidariedade à luta da comunidade.


Fanfarra Ataque Brasil comandou a discotecagem da festa e um dos momentos mais interessantes foi a exibição do documentário A Tornallon, direção de Videohackers & Enric Peris, que conta a história de resistência de uma comunidade rural, nos arredores de Valência, na Espanha. Na luta contra a especulação imobiliária que quer expulsá-los da terra cultivada há séculos por seus antepassados, os moradores de La Punta buscam a solidariedade de outros movimentos sociais para fortalecer a sua luta de resistência.


O documentário retrata que as obras de revitalização do porto de Valencia, realizadas no início da década de 2000, criando uma extensa zona de logística necessária ás atividades comerciais do porto, acaba por determinar a remoção da comunidade rural de La Punta. No caso da Vila Autódromo, a determinação são as obras do Parque Olímpico, zona de logística necessária a realização dos jogos Olímpicos de 2016.


A luta de resistência contra a especulação imobiliária que expulsa moradores de suas casas, ocorrida em países diferentes, mas com tanta coisa em comum, também ocorreu com moradores mais antigos da Baixada de Jacarepaguá. No passado, há cerca de 60 anos atrás, quando Jacarepaguá era parte do Sertão Carioca, eram lavradores que estavam lutando pela permanência de suas casas e seus modos de viver, enfrentando o interesse pelo lucro e a especulação imobiliária.


Assim como os moradores da Vila Autódromo e La Punta, os lavradores do Sertão Carioca também tiveram apoiadores para sua luta de resistência. Lindolpho Silva, comunista, liderança sindical e apoiador dos lavradores do Sertão Carioca, conta que nesta região era comum fazer contato em diversos tipos de festas, como quermesses, festas de aniversário e bailes.


Na ocasião do I Congresso dos Lavradores do Distrito Federal, ocorrido em julho de 1953 e contando com a presença de lavradores de Jacarepaguá, Santa Cruz, Mendanha, Santíssimo e Rio da Prata, após dias seguidos debatendo temas de interesse dos lavradores cariocas presentes na legislação e na constituinte nacionais, a comissão organizadora do congresso ofereceu um churrasco de encerramento das atividades. O mesmo Lyndolpho Silva era um dos integrantes da comissão organizadora do congresso.


Guardando as diferenças entre os movimentos sociais de épocas e lugares diferentes, é interessante notar as semelhanças nas formas de encaminhamento das lutas populares de grupos sociais como lavradores e moradores de comunidades rurais e favelas: a busca de apoio e solidariedade de outros movimentos sociais.


As festas de confraternização do passado e do presente apontam para a existência de espaços e momentos alternativos de encontro e sociabilidade entre os protagonistas e apoiadores das lutas populares e fortalecimento dos movimentos de resistência.

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