• Jornal Abaixo Assinado

Carnaval no Rio de Janeiro: 450 anos de evolução da festa de Momo

Instituto Histórico de  Jacarepaguá – Ihbaja

Por Janis Cassília *

O Carnaval no Brasil acompanhou a política nacional. São tão próximos que, pensar na festa de Momo sem o cenário político brasileiro, corre-se o risco de perder a sua beleza.

No passado, era o Entrudo, com as diferentes formas de brincar, como as guerras d’água pelas ruas do Rio de Janeiro, que envolviam todas as classes sociais, mas principalmente populares. Eram mascarados, participantes dos zé-pereiras e de outras tradições africanas que invadiam o Carnaval português nos trópicos, durante quarenta dias, com brincadeiras que ofendiam a elite e seus “bons costumes“.

Com a chegada da República, as autoridades reprimiram essa prática e incentivaram os bailes de máscaras e os desfiles de préstitos ou corsos, em que automóveis decorados desfilavam com as senhoras da elite carioca pela rua do Ouvidor. Ao longo do tempo, elas foram substituídas pelas cortesãs e prostitutas. A população pobre virou espectadora, reprimida e encarcerada nas prisões como capoeirista e praticante do Entrudo ou relegada às páginas policiais.

Ainda assim, esses marginalizados encontraram, no início do século XX, um lugar para si, dando origem aos ranchos e cordões. Os ranchos usavam alegorias sobre carroças, com enredo e percussão, enquanto os cordões desfilavam a pé. Seus membros eram moradores das recentes favelas e subúrbios da cidade. Jacarepaguá e outras antigas freguesias rurais possuíam, entre 1901 e 1910, 56 agremiações carnavalescas, a maior parte ranchos e cordões. Os participantes eram malvistos, mas ganharam o gosto popular.

Então, em meados dos anos 1920, surgiram as escolas de samba. A primeira, no bairro do Estácio, foi a “Deixa Falar”, cujos membros diziam querer “desfilar sem apanhar da polícia”. Após os anos 1930, essas escolas incorporaram temas “patrióticos”, e ganharam a alcunha de “autêntica cultura brasileira”. De lá pra cá, o modelo da escola de samba tornou-se um mercado lucrativo, fonte de renda e gerador de empregos.

O Carnaval acompanhou a trajetória política no país: sua infância como Entrudo no Brasil Colonial, a adolescência esnobe, meio afrancesada, com os bailes carnavalescos no início do século XX, e a sua maturidade cadenciada pelas escolas de samba. Digo mais: hoje vemos uma retomada dos blocos, desejosos que a folia transborde pelas ruas da cidade, para além do Sambódromo e do artificial.

*Pesquisadora do IHBAJA e professora de História.

0 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
jaajbr.png